Marcelo Fernandes sabe que não seguirá no comando do time por muito mais tempo. Apesar de não ter sido avisado pela diretoria, o que o chateou, o técnico já reconhece que sua saída é questão de tempo. Porém, mesmo assim, seu discurso às vésperas de mais um jogo pelo Campeonato Brasileiro ainda é o mesmo. E, ao invés de se esconder, mais uma vez resolveu dar a cara à tapa.
“É uma situação ruim demais, porque a equipe está nesse momento, mas não fez jogo para estar. Queremos dar moral para os jogadores, por tudo o que eles têm feito nos jogos. O meu papel é esse. Falei para a assessoria que não queria nenhum jogador falando. Só focado no jogo. O mais importante é trabalhar o Santos”, revelou, antes de encarar o Goiás, no Serra Dourada, às 19h30 desta quinta-feira.
Proteger os jovens jogadores do Peixe tem sido uma sina do treinador desde que assumiu o time, ainda na oitava rodada do Campeonato Paulista. Para isso, ele lembra as fogueiras que as revelações das categorias de base do clube estão tendo que encarar e não cansa de ressaltar a necessidade do Santos em contratar atletas mais maduros.
“Não tenho uma vírgula para falar do elenco. Não tenho nada a falar dos mais novos. O Atlético-MG só não é líder isolado do Brasileiro porque tropeçou contra nós com nove moleques. De 13, jogaram nove (garotos). Quem disse que não poderia dar um branco quando enfrentaram eles (Galo) em Minas? Mas eles estão correspondendo. Não deram um vacilo”, exemplificou, antes de completar.
“É importante olhar para o lado e ter um Renato, um Robinho. Gera confiança. Eles estão passando por fases abruptamente. Um Renato, um Elano, um Robinho, um Valencia, são importantes para melhorar o jogo deles”.
E diante de tantas dificuldades em montar sua equipe, principalmente pela alto de número de perda de peças, seja por lesão, convocação, suspensão ou transferência, Marcelo Fernandes ainda viu a pressão sobre seu cargo aumentar mais depois da derrota para o Grêmio, na Vila Belmiro, em um jogo marcado por um erro craço do árbitro Felipe Gomes da Silva, que expulsou Geuvânio logo aos 28 minutos do primeiro tempo.
O paranaense acabou suspenso pela CBF por duas rodadas, já que as imagens de TV mostraram o árbitro autorizando o atacante santista a voltar para o jogo depois de receber atendimento médico, diferente do que foi relato pelo próprio Felipe Gomes da Silva na súmula da partida.
“Não resolve absolutamente nada. Ninguém quer saber. Ele tinha que ter sido humilde, ter dado bola ao alto e não ter dado mais nada. Quando a bola foi no quarto zagueiro, ele mandou (o Geuvânio) entrar. Ele não foi errado em mandar entrar. Mas o Geuvânio esperou mais dois ou três segundos. O Grêmio seria prejudicado, seria três contra dois. Ele tinha que ter dado bola ao alto e pedido desculpas”, analisou Fernandes.
Nesta quarta-feira, o Peixe faz confronto direito com o Goiás na briga para fugir da zona do rebaixamento. Hoje, o alvinegro praiano está na 17ª colocação, com os mesmos 10 pontos do Esmeraldino, que estão uma posição à frente por causa de um gol no saldo. O duelo pode marcar a despedida de Marcelo Fernandes, já que o planejamento do presidente Modesto Roma Jr é fechar com o novo técnico até quinta-feira. Alexandre Gallo, Dorival Jr e Doriva são os mais cotados à assumir o posto.