Wanderley Luxemburgo costuma justificar o sucesso de seus times argumentando que seus jogadores atuaram com “fome, correndo atrás da bola como um prato de comida”. O termo se repete quando o técnico fala de si mesmo. Diante dos 100% de aproveitamento do Palmeiras em 2009, o treinador aproveitou para lembrar de sua trajetória desde a saída do Real Madrid.
Desde quando foi demitido do clube espanhol, em 2005, o ex-comandante da seleção brasileira passou por Santos e Palmeiras. Segundo muitos, sua vontade em chefiar jogadores diminuiu e o Verdão só tem dado certo neste ano porque seu técnico finalmente está motivado depois de ver o são-paulino Muricy Ramalho ficar com os três últimos Brasileiros e ganhar a preferência na CBF. Luxemburgo, porém, discorda totalmente.
“Quando comecei a falar dessa fome do time do Palmeiras, vi as pessoas falarem que na verdade eu é que estou com fome agora. Mas eu sempre estou com fome! Se não tivesse, não estaria aqui”, reclamou o treinador, bastante satisfeito com seus últimos trabalhos.
“Minha história nos últimos três anos é fantástica. Fiz e refiz projetos no Palmeiras e no Santos, fui tricampeão paulista (2006 e 2007 pelo Santos e 2008 pelo Palmeiras), vice-campeão brasileiro com o Santos em 2007, quarto lugar no Brasileiro do ano passado, classifiquei o Santos duas vezes para a Libertadores e o Palmeiras no ano passado”, recordou.
Nesta lista de conquistas relatadas, faltam a Libertadores e o Mundial, competições que Luxemburgo nunca venceu, e também um Brasileiro – o atual comandante do Palmeiras é o maior detentor de taças do torneio, já que triunfou em 1993 e 1994 com Palmeiras, 1998 com o Corinthians, 2003 com o Cruzeiro e 2004 com o Santos.
E são as buscas pela retomada nacional e por um título internacional que deixam o treinador faminto. “Fome eu tenho o tempo todo. Só que, com o tempo, fui ficando mais maduro e mais tranquilo. Mas sempre com fome”, garantiu, encerrando o assunto com ironia. “Podem continuar falando. Até gosto de comer um pãozinho com raiva.”