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Futebol

Leia entrevista com o diretor do Gama, Carlos Macedo

Arquivo Geral

22/07/2011 15h10

Rafael Pacheco
rafael.pacheco@jornaldebrasilia.com.br

 

A história da relação entre Carlos Macedo e a Sociedade Esportiva do Gama começou há 19 anos, quando o empresário iniciou seu primeiro mandato como presidente do clube candango. De lá para cá, Macedo não se afastou mais do Alviverde. Ele procurou se manter ligado ao clube, seja como presidente, vice-presidente ou diretor de futebol. O clube passou por altos e baixos nesses quase 20 anos. Chegou a disputar a Primeira Divisão do futebol nacional, mas também amargou rebaixamentos sucessivos e estreia domingo na Série D do Brasileiro, contra o Anapolina, às 16h, no Estádio Jonas Duarte, em Anápolis (GO).  Com a renúncia de Paulo Goyaz da presidência do clube em junho deste ano, Macedo agora passa a ocupar o cargo pela quarta vez. O dirigente tem o desafio de tentar reerguer o clube de maior torcida da cidade, após os vexatórios rebaixamentos para as Séries C e D do Campeonato Nacional. Tarefa que o atual presidente do Periquito conta como irá fazer com exclusividade para o Jornal de Brasília. Sem medo dos obstáculos, Macedo também não foge de questões polêmicas que envolvem o clube, como a saída de jogadores para o Brasiliense, as acusações feitas pelo mandatário do arquirrival, Luiz Estevão e a chegada de investidores ao clube.

 

Foto: Geyzon Lenin

O TJD-DF determinou seu afastamento da presidência do Gama. Você é ou não é presidente neste momento?
O fato é que no jogo contra o Brasiliense, com o Gama tendo o compromisso de honrar os jogadores, naquele momento eu liguei para o presidente da Federação Brasiliense de Futebol, o Paulinho, e disse: ‘Paulinho, todo recurso, com exceção do pagamento da arbitragem, eu vou utilizar para pagar a folha salarial dos jogadores’. Então os 5% que eu fiquei devendo para a Federação eu usei, mas antes eu informei ao presidente da Federação e ele concordou. Nós sabemos que devemos e é um impedimento perante a Federação. Eu não estou impedido de presidir o Gama.

Como é ver o Gama hoje na Série D do Brasileiro?
O torcedor de hoje não conhece a nossa história dentro do Gama. Muitas pessoas desconhecem os fatos de como nós encontramos o Gama. Se o torcedor de hoje fica triste, o do passado então… E eu também fico. Eu também tenho sentimentos e amor pelo Gama. Eu sonho muito em ver o Gama novamente na Série B. Na disputa da Série C ano passado, nós fizemos o possível e o impossível, mas infelizmente faltou uma vitória. O meu sonho hoje é terminar o meu mandato em 2012 com o Gama pelo menos na Série C.

O que fez Paulo Goyaz deixar a presidência do clube?
A saída do Paulo se deu muito em função de boatos de que o Gama não conseguia patrocínios por causa do Paulo, uma série de coisas, e o tempo está mostrando que não é bem assim. O Paulo se afastou no dia 13 e até o momento não houve nada de novo. Mas a saída do Paulo me pegou de surpresa. Foi em função de ele querer que o Gama crescesse. Eu vou continuar, não vou abandonar o barco, vou até onde der.

Ficou alguma mágoa sua com ele por conta da renúncia?
Não, de forma alguma. Todos os ex-presidentes que passaram por aqui deram a sua contribuição para o Gama. Todos têm sua história dentro do clube. Não tem mágoa, ele se afastou em prol do Gama.

E a questão do empresário Froylan Pinto estar disposto a investir no Gama, mas ter afirmado que tem encontrado dificuldades para fazer isso?
Quem tem boca diz o que quer. Eu conheço o Froylan de estádios, quando ele era dirigente do Taguatinga. Eu já estava no Gama, em 1994, e conheço a historia dele no Taguatinga. Nunca conversei com o Froylan, nunca em tempo algum nesses quase 20 anos eu falei com este cidadão. Se ele quiser vir para o Gama, será recebido de braços abertos, mas o Gama tem regras para que ele possa vir. Existe um estatuto do clube, não é apenas ele chegar aqui e a gente pegar as nossas coisas e ir embora. Nós temos compromissos e responsabilidades. Ele nunca sentou comigo para conversar sobre isso. Falou com alguns conselheiros, mas comigo, com o Wagner (Marques) ou com o Paulo Goyaz, ele nunca conversou. O que se ouve é especulação.

E a questão levantada pelo Froylan de que o Wagner Marques pediu R$ 4 milhões para entregar o Gama?
Nós nunca pedimos nada, o nosso posicionamento é de que um clube de futebol tem ativos e  passivos, e quem assumir o ativo terá também que assumir o passivo. Quem viria hoje só para pegar o seu dinheiro e colocar no clube? Quando o nosso grupo veio para o Gama, nós investimos. Nós temos os documentos contábeis de tudo isso. Nós recebemos o Gama em um envelope, hoje o Gama tem uma administração. O Wagner Marques tem créditos aqui, o Agrício (Braga) e o Paulo Goyaz também. Então tem que sentar e acertar. Qualquer investidor que quiser vir, seja ele o Froylan ou outro, o Gama está de braços abertos, só que tem que ser tudo formalizado. Não existe nenhum documento do Froylan dizendo que quer investir, nada oficial.

 

O Centro de Treinamentos é de propriedade do clube?
O terreno do CT (Centro de Treinamento) foi comprado em 1994 pelo Wagner Marques e pelo Agrício, ainda sem a intenção de criar o CT. Em 1992, o clube estava falido. Em 1994, o Gama não tinha como buscar os investimentos necessários para comprar o CT.

O que o Wagner Marques representa hoje para o Gama?
Eu sou amigo do Wagner há 30 anos. Nós temos negócios fora do Gama juntos. Eu acho que o Gama tem muito o que agradecer a ele. Se hoje tem aquele periquito que é o símbolo da cidade na entrada do Gama, isso foi um trabalho nosso. Se hoje tem o Bezerrão da forma que é, foi um trabalho nosso, com a chegada do time à Série A. Ele representa muito para o clube e hoje é um conselheiro. Quando eu deixar de ser presidente, passarei a ser conselheiro também.

O Luiz Estevão afirmou que você ofereceu jogadores do Gama ao Brasiliense. Isso é verdade?
Eu respeito muito o Luiz Estevão, ele no lugar dele e eu no meu. Nunca, em momento algum, eu ofereci jogador a ele. Por que eu iria oferecer jogador para o Brasiliense? Eu não sou acionista lá, não tenho interesses lá, não sou amigo do Luiz Estevão. Eu o respeito como a qualquer pessoa, o trato como presidente do Brasiliense assim como ele me trata como presidente do Gama. Não tenho nem o número do celular dele. Não sei onde fica a administração do Brasiliense e nunca fui a um jogo sequer do Brasiliense que não fosse contra o Gama. Eu nunca me envolvi e nunca vou me envolver em situações como essa de oferecer jogador a ele. Para quê? Com que intuito? Nem por dinheiro!

O Gama perdeu o Allan, o Bachin, o Éderson e o Elivelto para o Brasiliense, após a Vara do Trabalho do Gama ter dado ganho de causa aos jogadores, por conta dos atrasos de salário e do recolhimento do FGTS. O Gama pretende recorrer?
O nosso departamento jurídico está estudando isso, as taxas recursais são bastante altas. Mas eu acredito que em relação ao Elivelto, que é uma cria do Gama, um jogador feito nas nossas divisões de base, nós devemos brigar até o fim por ele. O Bachin não nos interessa porque é um jogador de vidro, que só vive quebrado, e a atitude dele por tudo que o Gama fez por ele não é digna de vestir a camisa do Gama, nem tampouco os outros dois (Allan e Éderson). Eles deveriam ter mais hombridade, assim como tiveram outros atletas que sentaram com a gente e negociaram, como o Pedrão, o Everton e outros. Nós negociamos e fechamos acordo para pagar os atrasados em três vezes e os liberamos para outros clubes.

E o Hugo, por que decidiu ficar, já que ele também teve a liminar para sair concedida?
Entre você estar no céu e em outro estágio, é melhor você ficar no céu, mesmo com todas as dificuldades. Nós conversamos com o Hugo e explicamos para ele qual é a realidade do clube hoje. Ele teve bom senso e sabe que o Gama é vitrine, não estou menosprezando nenhum dos clubes de Brasília, mas o Gama é vitrine. A marca Gama é forte.

Como você analisa o elenco do Gama para a Série D?
Em 1998, quando fomos campeões da Série B, nós tínhamos um time desacreditado por grande parte da imprensa e dos torcedores, mas trabalhamos com a equipe e fomos campeões. O time de hoje é um time jovem, mas temos jogadores experientes como o Dudu, o Tallys e outros, Essa vontade deles vai fazer com que o Gama supere esses problemas. Mas nós pretendemos reforçar o time gradativamente, só que para isso temos que ter receita e nesse momento a nossa receita é zero. Mas eu acredito muito que o governador Agnelo Queiroz, que é torcedor do Gama, venha a nos ajudar.

Como o Governo do Distrito Federal pode ajudar o Gama?
A gente sabe das dificuldades que o governador tem para administrar uma cidade como Brasília, e que a prioridade dele não é o Gama, mas temos certeza de que ele vá nos ajudar, como torcedor do clube. O GDF quer trazer a abertura da Copa do Mundo para Brasília, e ter um futebol forte na cidade é uma forma de atrair esse investimento da CBF e da Fifa na cidade. E futebol forte na cidade é sinônimo de Gama forte.

Como o Gama pretende resolver o problema de patrocínio?
A gente tem cinco ou seis propostas de nove projetos que nós apresentamos para grandes empresas. As grandes têm problemas de orçamento e as médias estão buscando formas de agregar forças com a gente. Estamos tentando. Os descensos  foram horríveis para buscar apoio, mas existem as pessoas que ainda querem investir no Gama. 

O Adelson de Almeida é o nome certo para comandar o time?
Quero te confessar uma coisa, quando eu trouxe o Heriberto da Cunha no final da Série C, era para eu ter trazido o Adelson de Almeida. Mas sempre foi da nossa forma de trabalhar não tirar nenhum profissional da nenhum clube, e o Adelson naquele momento tinha um compromisso com o Ceilândia. Prova de que nós confiamos no trabalho do Adelson. Eu acredito que tudo que acontece é para melhorar. Se hoje o Gama chegou ao fundo do poço, quem sabe não seja para fazer um alicerce para que o Gama cresça e daqui a quatro anos nós estejamos na Série A?

Você pensa em permanecer na presidência após o término desse mandato em 2012?
O meu pensamento é de que hoje disputemos a Série D, e quem sabe com os deuses do futebol nos iluminando, voltemos para a Série C. Eu pretendo completar o meu mandato até o final, mas quero também que quem venha a me suceder encontre um clube bem administrado, com a parte contábil explicada, com relatórios do que se deve, as situações trabalhistas em dia. Eu quero entregar o Gama assim, se for para entregar.

Como foi a conversa com os jogadores remanescentes?
Conversamos com os atletas e não mentimos para mantê-los aqui. Mostramos qual é a situação do clube e eles aceitaram. Mas se amanhã aparecer um patrocínio que viabilize a retomada do patamar de salários deles, nada mais justo do que fazê-lo.

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