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Futebol

Histórias da Bola: Gama e os políticos

Arquivo Geral

15/11/2011 10h04

Gustavo Mariani
gustavo.mariani@jornaldebrasilia.com.br

Foto: CedocA ligação dos políticos brasileiros com o futebol tem sido constante. Como ex-atletas, dirigentes ou torcedores, a simbiose é inquestionavel. Aliás, contam-se histórias incríveis de políticos-torcedores. Eis uma delas.

Quando era presidente da República, Arthur Bernardes aceitara o convite para assistir um importante jogo entre dois times cariocas. Vibrou tanto quanto os mais exaltados dos torcedores. Decepcionado, quando um rebu parou a refrega, pediu a um secretário para ordenar ao árbitro o imediato reinício das emoções.

No mesmo relance, achando que o seu Fluminense estava sendo surrupiado pelo apitador, o escritor Lima Barreto desceu da tribuna de honra, com uma bengala, decidido a puní-lo, ajudado por vários correligionários tricolores. Inaugurou as invasões de campo no Brasil.

Histórias de bola e políticos também têm a Sociedade Esportiva do Gama, que faz 36 anos hoje. Em 112 de República verde-e-amarela, até então, jamais um lider do Governo no Senado havia comparecido a um estádio de futebol, para dar o pontapé inicial de uma partida.

Era domingo, manhã de 12 de março de 1977, e o Gamão disputaria o seu primeiro amistoso interestadual. Para dar um cunho de importância ao amistoso, o então presidente do Gama, Márcio Tanus de Almeida, convidou o senador Eurico Rezende, líder da Arena no Senado, para dar o “kickoff” do prélio. Afinal, o homem havia sido presidente do Conselho Deliberativo do capixaba Vitória Futebol Clube, do qual ainda era sócio benemérito.

Dono de um bom humor impressionante, no momento do chute inicial, Eurico brincou: “Se eu já era um gamado torcedor do Vitória, no Gama fico mais gamado ainda”.

Para o senador, aquele pontapé inicial era um “dado curricular sem conotação política”. Meramente, garantia,  “um episódio sentimental. E gabava-se, dizendo: “Toda a minha família participa da vida do Vitória. O meu irmão Jaime Rezende, inclusive, foi campeão capixaba vestindo a camisa azul e branco, em 1934”.

Por aquela época, o senador Eurico Rezende disputava com o general Arnaldo Calderari, torcedor do América-RJ e chefe do Departamento de Material Bélico do Exército, o título de maior figurão do governo nos estádios candangos. Os dois iam muito aos jogos na cidade.

Naquele do Gama contra o Vitória, outro político presente fora o deputado Henrique Pretti, ex-presidente e ex-goleiro alviazul, ganhador do primeiro campeonato juvenil capixaba, em 1944. Era primo de Beto Pretti, um maior astro dos inícios do futebol brasiliense.

A solenidade daquele 12 de março teve os capitães dos dois times , Santana (gamense) e Beto convidando o parlamentar para abrir os trabalhos. Além do presidente do Gama, estava junto o supervisor do clube visitante, Carlos Romeiro, como mostra a foto acima. Sempre brincalhão, Eurico Rezende disse: “Quero chutar sem barreira”. Imediatamente, Tanus de Almeida retrucou: “Contanto que seja para o gol do Vitória”.

O Senador desobedeceu ao cartola e chutou para o campo do anfitrião. Vingando-se da desobediência civil, o Gama venceu, por 2 a 1, o seu primeiro triunfo interestadual. Vida longa para o aniversariante Gama.

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