“É possível fazer uma reviravolta épica”. A frase dita pelo técnico do Grêmio, Mano Menezes, nos vestiários do estádio La Bombonera, após a derrota para o Boca Juniors por 3 x 0, no jogo de ida da final da Taça Libertadores, não poderia ser mais apropriada para a missão gremista em busca de seu terceiro título.
Para levantar a taça, o time precisará repetir um feito que apenas quatro vezes em 199 jogos aconteceu com o Boca Juniors: ser derrotado por três ou mais gols de diferença. Com 20 participações na Libertadores, o time argentino impressiona pelo ótimo retrospecto, porém três dessas derrotas foram nos últimos seis anos.
Na atual edição, inclusive, o Boca foi superado pelo Cienciano por 3 x 0, na primeira fase, na altitude de Cuzco. O mesmo placar também foi obtido pelo Deportivo Cali, em 2 de maio de 2001, na Colômbia, em jogo válido pela etapa classificatória.
No ano passado, o Chivas Guadalajara obteve o placar necessário para o Grêmio: 4 x 0 sobre o Boca Juniors, em 2 de junho, no jogo de ida das quartas-de-final. Porém foi de uma equipe brasileira a responsabilidade pela pior derrota sofrida pelo time argentino na história da Libertadores.
Em 9 de março de 1994, o Palmeiras aplicou 6 x 1 no Boca, pela primeira fase. Na época, o Verdão era comandado pelo técnico Wanderley Luxemburgo e chegou ao triunfo com gols de Evair (2), Cléber, Roberto Carlos, Edílson e Jean Carlo. Martinez anotou o único tento dos visitantes.
Se não bastasse este histórico, o Grêmio não marcou três gols nas 13 partidas que fez na atual Libertadores. Em 106 jogos na história da competição, o Tricolor gaúcho obteve uma vantagem tão dilatada como a que necessita na decisão em 11 oportunidades, sendo a última em 8 de maio de 2003, quando bateu o Olímpia, do Paraguai, por 3 x 0, na partida de volta das oitavas-de-final.
Para superar toda esta escrita, o “imortal Tricolor” aposta nas recentes viradas e em sua história de superação. A maior prova para o elenco é a semifinal do Campeonato Gaúcho, quando perdeu o jogo de ida para o Caxias por 3 x 0, mas reverteu no Olímpico com a goleada por 4 x 0, marcando três gols logo no primeiro tempo.
“Nós podemos mudar esta história. Foi assim contra o Caxias. Temos de acreditar, pois a equipe já virou vários jogos difíceis”, explicou o atacante Carlos Eduardo, que foi um dos poucos destaques gremistas no primeiro confronto da decisão.
Até hoje, apenas duas vezes um time venceu o jogo de ida da decisão por três ou mais gols de vantagem. E nas duas, o derrotado amargou o vice. Em 1993, o São Paulo aplicou 5 x 1 sobre os chilenos do Universidad Catolica e levou a taça mesmo perdendo por 2 x 0, fora de casa. Já em 1976, o Cruzeiro superou o River Plate por 4 x 1, perdeu na volta por 2 x 1 e faturou o título com o triunfo por 3 x 2 no jogo-desempate, pois na época o saldo de gols não tinha validade.
| Vitórias do Grêmio na Libertadores por três ou mais gols de vantagem |
| 26/6/1984 – Grêmio 5 x 1 Flamengo 10/7/1984 – Grêmio 6 x 1 Los Andes-VEN 31/3/1995 – Grêmio 4 x 1 Emelec-EQU 25/4/1995 – Olímpia 0 x 3 Grêmio 26/7/1995 – Grêmio 5 x 0 Palmeiras 15/5/1996 – Corinthians 0 x 3 Grêmio 4/3/1997 – Alianza Lima-PER 0 x 4 Grêmio 29/4/1998 – Grêmio 4 x 0 Nacional-URU 1/5/2002 – Grêmio 4 x 0 River Plate-ARG 2/4/2003 – Grêmio 4 x 1 Peñarol-URU 8/5/2003 – Grêmio 3 x 0 Olímpia-PAR |