Carnaval e futebol sempre fizeram uma comibanção perfeita, basta olhar dentro dos ônibus dos times e nas concentrações, inevitavelmente um pandeiro e um cavaquinho estão presentes, com o coro dos jogadores dando a cadência necessária ao samba.
Por isso o confronto entre Gama e Botafogo-DF, no Bezerrão ontem, teve uma conotação especial, afinal era sábado de carnaval. Em 90 minutos de jogo, os atletas das duas equipes desfilaram com suas fantásias, como em alegorias carnavalescas das escolas de sambas, devidamente organizados por seus treinadores, que faziam o trabalho dos carnavalescos, tendo, muitas vezes que exercer a função de intérpretes do enredo anunciado em suas preleções.
As torcidas, ecoando o samba-enredo de suas agremiações, até tentaram ser o coração dos times, assim como são as batérias das escolas de samba, mas pouco puderam fazer diante de uma evolução mal feita pelos clubes, que apresentaram pouca harmonia em campo.
Quem sabe por ter faltado alguém cumprir a função de mestre-sala e porta-bandeira para brilhar na condução da escola, ou por culpa dos atacantes, que como comissão de frente não fizeram suspirar os jurados. Se as duas principais alegorias não tivessem emperrado, com Anderson saindo aos dez minutos de jogo, como um carro que atrasa o desfile, e Túlio, que precisou ser empurrado na avenida com a camisa 1000, a nota pudesse ser um 10.
No fim, o conjunto foi digno mesmo de um 0 x 0.