A Fifa decidiu criar um grupo de trabalho para decidir a idade dos participantes do futebol nos Jogos Olímpicos e a eliminação do limite de 21 anos para mudar de país em casos de dupla nacionalidade.
Em nota, o organismo que controla o futebol mundial divulgou algumas das decisões tomadas durante o encontro do Comitê Executivo, em Nassau, nas Bahamas.
O evento, assistido por 205 federações, abordou também o projeto de implantar a norma que inclui a escalação de seis jogadores do país de origem do clube entre os titulares, evitando o excesso de estrangeiros.
“Quando for aprovado o Tratado de Lisboa, pediremos seu apoio para proteger as equipes representativas, os clubes formadores e sua identidade. E não só na Europa, mas no mundo todo. A regra virá, é só questão de tempo”, garantiu o suíço Joseph Blatter, presidente da Fifa.
Blatter lembrou que o Tratado faz referência à “especificidade do esporte” e sua “estrutura”, assim como sua “função social e educativa”.
Além disso, 58% dos participantes aprovaram uma emenda ao artigo 18 do Estatuto da Fifa, para eliminar o limite de 21 anos de idade aos jogadores com dupla nacionalidade para defender outro país.
Logo no início do congresso, o Comitê Executivo da Fifa retirou a proposta para debater os critérios de elegibilidade para o torneio olímpico de futebol masculino.
Até agora as equipes olímpicos eram formadas por jogadores abaixo dos 23 anos, com três exceções, e a Fifa quer reduzir o limite de idade para 21.
A maioria das federações (98%) aprovou uma declaração para preservar os valores do futebol, protegendo o jogo e seus jogadores, com base nos princípios de integridade das competições, a ética esportiva e o fair play.
A declaração insiste na proteção dos jogadores menores de 18 anos, a identidade dos clubes e a formação dos jovens jogadores nos clubes, a luta contra o doping, o estímulo ao fair play financeiro e a reforma do regime dos agentes.
Também será criada uma subcomissão para examinar as transferências de menores de idade e aumentar a quantia da indenização por formação para os jogadores de entre 12 e 15 anos, o que evitaria a caça aos jovens talentos.
“Temos um esporte maravilhoso como ferramenta para criar esperança e emoções, por isso devemos proteger nosso futebol. Nossa obrigação é proteger os jovens jogadores e acabar com a escravidão”, disse Blatter aos congressistas.
Foi também discutida a campanha da Fifa para estimular um estilo de vida saudável graças ao futebol, e a colaboração com a Agência Mundial Antidoping (AMA) para desenvolver o passaporte biológico.
O diretor-geral da AMA, David Howman, também foi ao evento.
Segundo dados da Fifa, anualmente são feitos 30 mil exames antidoping no futebol, com 0,3% de casos positivos. O regulamento antidoping do organismo atende aos requisitos do código da agência mundial antidoping.