O técnico do Manchester United, Alex Ferguson, duvida que a ida do meia David Beckham aos Estados Unidos será o suficiente para aumentar o interesse dos norte-americanos pelo futebol.
O escocês, que treinou o astro até 2003, ano em que os Diabos Vermelhos venderam o passe do jogador ao Real Madrid, não acredita que a popularidade de Beckham seja o bastante para causar um súbito interesse pelo esporte. Para Ferguson, se nem mesmo lendas como Pelé, Franz Beckenbauer e Johan Cruyff conseguiram tal feito, o meia inglês tão pouco poderá reverter a situação.
“É difícil com David indo para lá”, disse Ferguson ao jornal britânico The Times. “Não sei qual o tipo de impacto que ele pode causar. David Beckham por si só não pode mudar o país inteiro”, completou.
Beckham se juntou ao Los Angeles Galaxy em julho dizendo que queria aumentar o nível do Campeonato Norte-americano, mas Ferguson é cético quanto a isso. “O tamanho do país dificulta. No futebol europeu é possível viajar facilmente. Mas se você está em Boston e precisa ir a Los Angeles, são seis horas de vôo”, afirma.
“Os torcedores não viajam, assim perde-se a rivalidade e há um problema”, continuou o treinador. “Para fazer com que isto seja substancial, é preciso que a abordagem seja regional, mas não há times suficientes para fazer quatro ligas fortes”, explicou.
Ferguson aproveitou a oportunidade para comentar a respeito de seu futuro. Por enquanto, o treinador descarta a aposentadoria, mas diz que se isto acontecer, seu assistente, Carlos Queiroz, seria um substituto à altura.
“Tenho um grande assistente em Carlos e acho que ele seria um forte candidato. Temos novos proprietários agora e não sei como eles vêem a situação na América”, afirmou o escocês a respeito da família Glazer, que comprou o Manchester United. “O fato é que não decidi quando me aposentarei, é difícil. O importante é deixar um bom time. A equipe atual é muito boa, mas ficará melhor”, encerrou Ferguson.