Os tiros disparados em direção ao ônibus da delegação do Fenerbahçe neste sábado podem resultar em consequências maiores do que as previstas inicialmente. Ao menos, é o que pede o próprio clube, que quer a suspensão do Campeonato Turco.
Em nota oficial, o Fenerbahçe declarou: “Antes de mais nada, é importante ressaltar que esse incidente não é um simples ato isolado de um torcedor que pode ser minimizado. Deve ser encarado como um ataque armado, organizado e uma tentativa de assassinato contra o Fenerbahçe. (…) A partir do momento em que sangue é derramado, o futebol deve ser interrompido. A identificação e a punição dos responsáveis é a prioridade do Fenerbahçe neste momento”.
“Na opinião do clube, a continuidade da liga deve ser adiada até que o incidente seja esclarecido e a consciência do público do Fenerbahçe esteja satisfeita. (…) Nós gostaríamos de expressar os nossos votos de saúde ao motorista do ônibus Ufuk Kiran, nossos jogadores, comissão técnica e seus familiares”, concluiu a nota.
O clube anunciou ainda que divulgará uma nova declaração nesta segunda-feira, após uma reunião de emergência da cúpula diretiva. O caso ocorreu após a goleada sobre o Rizespor, por 5 a 1, quando o grupo se encaminhava para o aeroporto de Trabzon. Com dupla escolta policial, o motorista foi levado ao hospital e a delegação seguiu viagem.
“Houve um barulho na esquerda, e a janela explodiu. Ele foi atingido, e nós paramos o ônibus, puxamos o freio. Nosso doutor atendeu o motorista. Saía muito sangue, do nariz e da boca. Ele foi levado a um centro médico por um carro da polícia. Isso não pode ser uma desgraça, estou chocado”, disse o gerente administrativo da equipe, Hanan Çetinkaya, ao jornal Hurriyet. Atleta da seleção da Nigéria, o atacante Emmanuel Emenike foi um dos mais assustados pelo incidente.
“Eu estava no telefone com o meu irmão, quando ouvi um barulho alto e pensei que um dos nossos pneus tivesse estourado, até porque o ônibus saiu de sua rota na hora. Mas quando vi o nosso segurança correr para a parte da frente do ônibus, percebi que algo terrível tinha acontecido. Então nós percebemos que foi o segurança que puxou o freio, e o ouvimos dizer que o motorista tinha sido atingido. Por si só, a palavra ‘atingido’ já veio como um choque, mas aí vimos que ele estava ensopado de sangue e a janela ao seu lado estava destruída. A partir daí, o horror tomou conta de todos nós”, declarou Emenike.