Luiz Felipe Scolari já consultou Jorge Mendes, seu empresário em Portugal, e diz ter avisado que não vai aceitar nenhuma oferta do Sporting de Lisboa, mesmo que concretizada, ou de clubes brasileiros como o Fluminense. O treinador garante que fica no Palmeiras até o fim de seu contrato, em dezembro de 2012, não só por um projeto familiar, mas por amor ao clube.
“Tenho identificação e posso bater no peito para dizer: não trabalho pelo salário, por profissionalismo. Trabalho no Palmeiras porque gosto do Palmeiras”, discursou Felipão, descartando até seu alto salário como justificativa pela permanência. “Não é questão de valores. Tenho mercado em qualquer lugar, mas estou satisfeito, as pessoas com as quais convivo me deixam feliz.”
Scolari se sente mais do que um técnico para justificar seu empenho no clube. “Às vezes tenho consciência de que faço coisas que não são normais por estar envolvido no projeto de ganhar e fazer o Palmeiras campeão. Muitas vezes a gente extrapola por já ter vivido situações maravilhosas de 1997 até 2000, pelo ambiente que tivemos e pela receptividade dos palmeirenses e da direção qualquer uma que fosse”, disse o comandante, ciente da sua idolatria.
“Muitas vezes eu deveria ficar na parte técnica, mas, por estar envolvido com o clube, algumas vezes posso errar para um lado ou outro. Eu me envolvo porque essa é forma de mostrar ao torcedor e ao meu presidente que quero fazer muito mais pelo Palmeiras e que muitas vezes é feito”, declarou.
Em relação às equipes brasileiras, Scolari costuma ser consultado pessoalmente, por isso assegura que não foi procurado pelo Fluminense. Já as sondagens de clubes estrangeiros ele deixa com Jorge Mendes e alega entender a intenção de um dos candidatos à presidência do Sporting, com quem sempre teve bom relacionamento, em contar com seu trabalho.
O treinador, contudo, quer manter seu projeto familiar. “Já está decidido. Não tenho ideia nenhuma de voltar: minha família vem em junho e eu fico aqui”, argumentou. “Claro que tenho contatos, mas já fiz um plano de vir ao Brasil e por nada desse mundo eu ficaria longe da família. Estou quase um ano fora de casa, não valeria a pena ter feito o trabalho que fiz, viver uma situação que nunca vivi na vida e depois de nove meses voltar à Europa.”
A maior preocupação de Felipão é que seu caçula mantenha seus estudos na faculdade. O treinador tem analisado universidades que aceitem o currículo que seu filho tem estudado em Lisboa e projeta uma definição na questão na segunda-feira ou na terça-feira.