O papel do homem-forte do Brasiliense Luiz Estevão não é de simplesmente bancar os salários da equipe. Desde a criação do time, em 2000, não foi difícil vê-lo dando seus pitacos na escalação de jogadores, atravessando o campo para falar no vestiário e precocemente perder a paciência com os técnicos da equipe.
Preso desde 27 de setembro por falsificação de documentos públicos, o ex-senador já foi comparado por um ex-jogador do clube como um Maracanã lotado: “Ele faz mais pressão do que o estádio cheio”.
No domingo, às 16h, no Serejão, Luiz Estevão não estará presente. Aliás, de corpo presente. O fato de não poder acompanhar o time na partida que pode devolver o clube a Série C do Brasileiro – basta vencer o Brasil-RS por 1 x 0 – não quer dizer que o homem-forte não está ciente do que ocorre no clube.
Desde que foi detido, ele não entrou em contato direto com os jogadores, mas recebeu informações de que o time amarelo conseguiu a classificação para as quartas de final da Série D. A família e os advogados fazem uma espécie de ponte entre Estevão e o time.
“Ele estando aqui ou não, é normal para nós. Nós jogadores estamos com a cabeça tranquila, sabendo que vai ser um jogo difícil”, frisa o zagueiro Felipe, que fecha o sistema defensivo junto com o capitão Fábio Braz.
Para o goleiro Edson, que terá a responsabilidade de parar o ataque do Xavante gaúcho, o time perde na parte motivacional.
“Não é que não mude nada. Ele tem um papel motivacional importante, vem e conversa com a gente. Ele desempenha um papel importante. Dentro de campo, não vai fazer falta, mas seria importante ter ele por perto”, lamenta.
Incentivo financeiro
Como se não bastasse a animação pela proximidade de voltar à Série C, de onde foi rebaixado no ano passado, os jogadores do Brasiliense ainda terão o tradicional incentivo em dinheiro, ainda que Luiz Estevão não se faça presente.
Caso conquiste a vaga nas semifinais, os jogadores também receberão uma bonificação no salário. Os valores não foram divulgados.