Enquanto Boca Juniors e River Plate viviam momentos de tensão no gramado de La Bombonera, um personagem em Brasília relembrou um período da carreira. Atualmente no Gama, o volante Baiano viveu na pele a rivalidade entre Xeneizes e Millionarios quando defendeu o Boca Juniors, em 2005.
Para o jogador, que atuava como lateral-direito no clube argentino, o que foi visto no segundo jogo das oitavas de final foi além do que havia acontecido nos últimos anos.
“Quando a gente ia jogar em Nuñez, a gente sofria. Era ônibus apedrejado, bombas, mas nada do que foi visto na Bombonera”, compara.
Ele, no entanto, rechaça a possibilidade do Boca Juniors sofrer alguma sanção. “Se fosse algo parecido aqui no Brasil, a punição seria pesada. O Boca deveria perder a vaga para servir de exemplo a outros clubes de menor expressão.”
Estádios problemáticos
Foram cerca de seis meses defendendo o azul e ouro do time de La Boca. Neste período, Baiano presenciou outras cenas de selvageria, como a briga durante um jogo entre Boca Juniors e San Lorenzo.
“Era uma briga dos torcedores do San Lorenzo. Coisa de gente cair no chão e outras pessoas baterem. Nós, em campo, chegamos a ficar assustados”, recorda.
O River Plate, porém, não era o clube cuja torcida era mais temida. A principal ameaça vinha da cidade de Rosário. “Jogar contra o Newell’s Old Boys e contra o Rosario Central era quase tão ruim quanto com o River. Entre eles, as brigas são até piores”, frisa.
Entenda o caso
Pimenta e fim precoce
Os jogadores do River Plate se encaminhavam de volta para o gramado da Bombonera quando foram atingidos por jatos de spray de pimenta. Chegou a se cogitar que a ação teria partido da torcida xeneize, mas o diário Olé, principal veículo esportivo da Argentina, divulgou que a perícia concluiu que o spray partiu de dentro do campo de jogo.
Quatro (Funes Mori, Ponzio, Kranevitter e Vangioni) sofreram mais com os efeitos do gás e apresentaram queimaduras de primeiro grau, reações alérgicas e inflamação nas córneas.
A partida ficou paralisada por mais de uma hora para que se decidisse se o jogo teria reinício ou não.
Após muita conversa, a partida acabou suspensa pelo trio de arbitragem. O placar apontava 0 x 0, resultado que garantiria o River Plate nas quartas de final da Libertadores.
Resultado ainda indefinido
Depois de a página da Libertadores da América ter anunciado no Twitter que o River Plate havia se classificado automaticamente para enfrentar o Cruzeiro, a Conmebol emitiu comunicado em que não confirma a decisão.
A Confederação Sul-americana de Futebol anunciou que o Boca Juniors terá até a tarde de hoje para apresentar sua defesa em relação à confusão ocorrida no estádio La Bombonera. A unidade disciplinar da Conmebol abriu uma investigação disciplinar sobre o caso, mas só tomará sua decisão depois de receber as alegações do Boca.
Assim, a tabela da próxima fase foi divulgada ontem com datas e horários dos outros confrontos, mas sem qualquer referência ao jogo do Cruzeiro, que aguarda o ganhador do duelo entre os rivais argentinos.
A partida na Bombonera teve apenas o primeiro tempo disputado, na noite de quinta-feira, já que os jogadores do River Plate foram atingidos por um spray de pimenta quando retornavam para a segunda etapa.
O presidente do Boca Juniors, Daniel Angelici, se mostrou envergonhado com as cenas lamentáveis em La Bombonera e lançou um aviso à torcida.
“É lamentável tudo que ocorreu. Quero identificar esses dez delinquentes, porque é um papelão mundial“, ponderou o mandatário.