Marcus Pereira
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A duas semanas do início do Candangão de 2012, o Jornal de Brasília fez um giro pelos estádios que receberão as partidas do campeonato local e constatou que, mesmo com o Distrito Federal se preparando para receber a Copa do Mundo em 2014, pouca coisa mudou em relação à péssima infraestrutura das nossas praças esportivas.
Campos desnivelados e cobertos de remendos, problemas de infiltração nas arquibancadas e vestiários decadentes foram algumas das situações encontradas. Apenas Bezerrão e Serejão já possuem alvarás liberando os locais para a realização dos jogos. Os laudos são produzidos após uma vistoria feita pela da Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros.
A maioria dos estádios é propriedade das Administrações Regionais nas quais eles se encontram. Apenas Bezerrão, no Gama, e Rorizão, em Samambaia, recebem verbas diretas do Governo do Distrito Federal (GDF).
Três dessas arenas serão locais de treinamento das delegações que participarão da Copa do Mundo no Brasil. Bezerrão, Serejão, Cave e Augustinho Lima são os quatro finalistas para as vagas. Entretanto, apenas um desses locais teria total condições para receber os estrangeiros atualmente.
ABADIÃO – CEILÂNDIA
Com capacidade para cinco mil pessoas, o Estádio Maria de Lourdes Abadia, o Abadião, é a casa de Ceilândia e Ceilandense. A arena passa por algumas reformas com o intuito de se tornar uma das melhores do Distrito Federal. “Para o Candangão deste ano, estamos substituindo e pintando todo o muro nos arredores do estádio, além de reformar todos os banheiros e o bar, que será aberto novamente após quatro anos fechado”, contou o administrador de Ceilândia, Aridelson de Almeida. Ele garantiu que a região coberta por barro onde alguns torcedores assistem às partidas será substituída por uma camada de brita para depois serem instalados bloquetes de concreto. Fruto de um investimento de aproximadamente R$ 100 mil, o gramado do Abadião é de boa qualidade. A grama está pronta para receber os atletas no dia 12.

CHAPADINHA – BRAZLÂNDIA
A casa do Sociedade Esportiva Brazlândia apresenta problemas graves. Com sua capacidade máxima para cinco mil pessoas, o estádio possui apenas uma pequena arquibancada em péssimas condições, que comporta 1.620 torcedores. O presidente do Brazlândia, Moazir Ruthes, acusa a Administração Regional de não cuidar do estádio. “Nós usamos recursos próprios na manutenção do estádio”, conta. Para o administrador, Bolivar Rocha, a afirmação não condiz com a verdade. “Nós, da Administração, estamos revitalizando o estádio. Reconstruímos os vestiários e o gramado no ano passado. Arrumamos toda a grade e a parte elétrica que estava péssima”, explicou. Os vestiários estão reformados, porém não contam com chuveiros. O gramado apresenta vários remendos e não está totalmente nivelado.

AUGUSTINHO LIMA – SOBRADINHO
Em Sobradinho, encontramos o Augustinho Lima em manutenção. Considerado um dos melhores estádios do Distrito Federal, sua programação de obras está toda em dia, mesmo com a temporada de chuvas no Centro-Oeste retardando o começo dos trabalhos. Arquibancadas limpas e o gramado sendo marcado e cortado contrastam com a situação ao redor do campo, recheado de matagal e entulho. O campo conta com uma bela pista olímpica e possui bancos de reserva praticamente novos, mas ainda com alguns improvisos. Com vestiários e cabines de imprensa reformados, a arena com capacidade para 15 mil torcedores está bem conservada. Mesmo com as melhorias, a fachada do local segue descuidada. Assim como em outros estádios, os portões e muros pichados dão aspecto de mal-cuidado.

CAVE – GUARÁ
Inaugurado no final da década de 1970, o Cave parece ter parado no tempo. A estrutura das arquibancadas permanece a mesma até hoje e é sempre maquiada, ano após ano, para receber as competições. Um dos pontos críticos do local são os vestiários. “Estão em péssimas condições. Eu fico com vergonha de receber um time da Primeira Divisão aqui”, desabafou o gerente de Esporte do Guará, Mauricélio Matos. Antigas portas são usadas como macas e os chuveiros simplesmente não funcionam. A área parece abandonada. Se fora de campo a situação é complicada para torcedores e jogadores, dentro dele não se pode dizer o mesmo. O gramado bem cuidado será mando de campo de três equipes. Capital, Botafogo-DF e Legião são os clubes que, além de jogar, deverão arcar com os custos da manutenção do estádio, que abriga oito mil torcedores.

BEZERRÃO – GAMA
A arena com capacidade para 20 mil pessoas é uma das únicas gerenciadas pela Secretaria de Esportes do Distrito Federal, sem relação alguma com a Administração Regional. Por esse motivo, fica fácil perceber por que o estádio que recebe mais apoio do governo é, sem dúvidas, o melhor do Distrito Federal. A diretora do Bezerrão, Meire de Sousa, é a encarregada de manter o estádio sempre bem cuidado. “Durante esses quatro anos, nós procuramos cuidar diariamente para não correr o risco de abandono”, conta. Meire é encarregada de todo o estádio, desde a parte de segurança, engenharia, até o gramado. Aliás, o piso com aspecto de mal-cuidado tem toda uma explicação. “A grama passa por um período de poda. Cortamos ela rente ao chão e, em uma semana, ela já está toda pronta com a folhagem toda nova”, explica Meire. Com todo esse apoio, a casa do Gama neste campeonato segue como franca favorita a uma das vagas como centro de treinamento de delegações para a Copa do Mundo de 2014.

DIOGÃO – FORMOSA
Vinte anos com um corpo de 60. Assim encontramos o Estádio Diogão, a casa do Formosa Esporte Clube. Com uma estrutura toda antiga, a arena comporta cerca de nove mil pessoas. Os vestiários, mesmo espaçosos, não apresentam conforto para quem os utiliza. Faltam torneiras e a sujeira impera. As tribunas de honra e imprensa estão completamente abandonadas e as arquibancadas apresentam problemas estruturais, assim como os alambrados que cercam o gramado. O alto custo de se manter um estádio é ponto fundamental na precariedade do local. O município de Formosa é que o mantém, com um orçamento apertado da Secretaria de Esportes, que, além do Diogão, tem outras obrigações. “Além do município ser pobre, não temos retorno financeiro do estádio. Toda renda é cedida ao clube”, explicou o secretário de Administração de Formosa, Abílio Siqueira. O gramado apresenta uma aparência melhor do que de outros cantos da arena e é o destaque positivo do Diogão.
SEREJÃO – TAGUATINGA
O Estádio Serejão já vem sendo utilizado desde o final do ano passado na preparação do Brasiliense para sua estreia no Candangão. O time que administra a arena de Taguatinga segue todas as exigências impostas pelos donos do local. “Não podemos mudar a estrutura porque é da Administração da cidade”, queixa-se o gerente de futebol do Jacaré, Paulo Henrique. Patrimônio da cidade de Taguatinga, o que vemos dentro dos vestiários é uma verdadeira casa do Brasiliense. Nada mais justo com o clube que paga as despesas do lugar. “Eu sou funcionário do clube, ele que me paga, assim como os jardineiros e todo o resto. A administração não paga sequer a conta de água”, disse o administrador da Boca do Jacaré, Odair Cardoso. Apesar de bem cuidado, o estádio, assim como nas demais principais arenas do Distrito Federal, dispõe de uma estrutura velha e antiquada. As arquibancadas bem cuidadas e as tribunas de imprensa reformadas contrastam com os muros e portões em péssimo estado.

RORIZÃO – SAMAMBAIA
Em Samambaia encontramos um estádio pequeno, mas bastante aconchegante. O Rorizão conta com uma estrutura que comporta cinco mil pessoas e, assim como o Bezerrão, a arena recentemente reformada é propriedade do GDF. O estádio será a casa do Brasília no Candangão de 2012 e conta com vestiários e tribunas de imprensa novos, mas que infelizmente apresentam alguns erros estruturais. Na altura das cabines existe uma grade que dificulta o trabalho daqueles que cobrirem algum jogo no estádio. “Quando tem jogos transmitidos, colocamos as câmeras na parte da arquibancada aqui em frente”, explicou Luciano Silva, gerente do Rorizão. Bastante remendado e desnivelado, o campo pesado apresenta um gramado em péssimas condições de uso. Chegar ao local também é algo complicado. As entradas para o estacionamento, que até é bem cuidado, são todas de terra e cheias de buracos. O Rorizão também não conta com sistema de iluminação e, por isso, só poderá abrigar jogos pela manhã e à tarde.

SERRA DO LAGO – LUZIÂNIA
A Serra do Lago em Luziânia é a casa do time da cidade. O estádio, que hoje comporta nove mil pessoas, já foi o terceiro maior de Goiás, com uma capacidade de 21 mil torcedores. A aréa, que antes era a geral, se transformou em um fosso entre campo e arquibancada. De fácil acesso, a arena abrigou a final do Campeonato Candango da Segunda Divisão no ano passado. Segundo Ricardo Meireles, cidadão de Luziânia, o estádio precisa de melhorias. “ O Serra do Lago deveria ser mais cuidado. É um bom estádio, mas a estrutura não é boa”, disse Ricardo. O Serra do Lago, assim como o Diogão, recebe verbas da Secretaria de Esportes do seu município. “O gramado do Serra do Lago está em ótimas condições. Nós temos uma equipe que faz a manutenção do local”, afirmou o Secretário de Esportes de Luziânia, Adriano Santos.