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Futebol

Enquanto o Brasília aguarda decisão do STJD, caseira do CT diz não receber salário

Arquivo Geral

17/10/2014 8h29

Um barraco de madeira com apenas três quartos onde vivem nada menos do que 11 pessoas. Na cozinha, os eletrodomésticos já precisaram ser comprados mais de uma vez devido aos danos causados pela chuva. A moradia, que abriga pessoas entre 1 e 43 anos, divide espaço com traves e um gramado castigado do local identificado como centro de treinamentos do Brasília Futebol Clube, atual campeão da Copa Verde, e que aguarda decisão do STJD para se movimentar para a temporada seguinte. 

À frente da numerosa família, a caseira Cláudia Maria Batista explica parte de suas dificuldades. De acordo com ela, faz cinco meses que não recebe salário do clube.

Nascida em Maceió (AL) e moradora da capital há três anos, ela tem sofrido mais do que o esperado para sustentar as outras 10 pessoas. O marido dela, Marcos Batista, que trabalha como pintor e gesseiro, é quem tem segurado a barra. “Não fosse o salário dele, a gente já estaria passando fome”, detalha. 

No local, que conta com três quartos, além de cozinha e banheiro, Cláudia afirma que convive diariamente com problemas básicos, como a falta de segurança. Uma bomba hidráulica foi roubada no meio da madrugada. “De noite, no escuro, quem é que vai lá ver quem está roubando?” Para se ter uma ideia, a porta de entrada não tem fechadura. Para a entrada ficar trancada, os moradores desenvolveram um sistema em que pregos funcionam como o trinco.

Presidente contesta

Presidente do Brasília, Luís Carlos Alcoforado diz desconhecer os débitos. “Não tem atraso de cinco meses de salários.”

De acordo com ele, o espaço, que conta com uma placa com o escudo do time na entrada do terreno, ainda não é usado pelo clube – aguarda investidores para revitalizar a área. E isso depende da definição do imbróglio envolvendo o título da Copa Verde (leia saiba mais).

Nesta semana, um encontro entre as partes ocorreu. Segundo a funcionária do centro de treinamento, ela conseguiu o pagamento de um mês em atraso.

Saiba mais
 
A vida do Brasília no que diz respeito a Copa Verde segue indefinida. O título, conquistado em campo no dia 21 de abril deste ano, foi contestado na justiça pelo Paysandu (PA), o vice-campeão. De acordo com o Papão, o Colorado entrou em campo com quatro jogadores irregulares. O STJD deu, em primeira instância, vitória ao clube paraense. O Brasília recorreu da decisão ao Pleno do tribunal. O julgamento na esfera foi paralisado visto que o próprio Paysandu pediu adiamento. Desde o fim de setembro não se sabe quando a história terá fim. 
 
Ratos e demais bichos são constantes
 
Se os animais que constantemente invadem a moradia – os ratos já viraram até visita, como conta a filha mais velha de Cláudia, Claudiane, de 24 anos – já deixam a família em estado de alerta, outra questão que incomoda é o clima. Devido ao material usado para construir a casa, os efeitos do tempo são potencializados no local. Para evitar mais perdas com os constantes ventos, tijolos foram colocados sobre as telhas, para evitar que elas voem.
 
“Quando venta, o telhado voa. Há um tempo bateu um vento que levou muitas telhas. Quando chove, a casa fica inundada. Quando faz calor, não dá nem para pensar em dormir com cobertor. E quando faz frio, não gosto nem de lembrar, a gente, se possível, dorme com três, quatro lençóis”, conta Cláudia.
 
Bom-humor
 
Mesmo com as situações adversas, Cláudia e a numerosa família encaram tudo sempre com muito bom-humor. Os risos ao lembrar as dificuldades exemplificam isso. Para ela, não adiantar encarar as situações vendo apenas o lado negativo.
 
“O pessoal até se admira com a gente. Mas penso que se a gente for ficar triste, vai acabar deprimido e não vai ter dinheiro para comprar os remédios. O jeito é rir para não chorar.”

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