Um barraco de madeira com apenas três quartos onde vivem nada menos do que 11 pessoas. Na cozinha, os eletrodomésticos já precisaram ser comprados mais de uma vez devido aos danos causados pela chuva. A moradia, que abriga pessoas entre 1 e 43 anos, divide espaço com traves e um gramado castigado do local identificado como centro de treinamentos do Brasília Futebol Clube, atual campeão da Copa Verde, e que aguarda decisão do STJD para se movimentar para a temporada seguinte.
À frente da numerosa família, a caseira Cláudia Maria Batista explica parte de suas dificuldades. De acordo com ela, faz cinco meses que não recebe salário do clube.
Nascida em Maceió (AL) e moradora da capital há três anos, ela tem sofrido mais do que o esperado para sustentar as outras 10 pessoas. O marido dela, Marcos Batista, que trabalha como pintor e gesseiro, é quem tem segurado a barra. “Não fosse o salário dele, a gente já estaria passando fome”, detalha.
No local, que conta com três quartos, além de cozinha e banheiro, Cláudia afirma que convive diariamente com problemas básicos, como a falta de segurança. Uma bomba hidráulica foi roubada no meio da madrugada. “De noite, no escuro, quem é que vai lá ver quem está roubando?” Para se ter uma ideia, a porta de entrada não tem fechadura. Para a entrada ficar trancada, os moradores desenvolveram um sistema em que pregos funcionam como o trinco.
Presidente contesta
Presidente do Brasília, Luís Carlos Alcoforado diz desconhecer os débitos. “Não tem atraso de cinco meses de salários.”
De acordo com ele, o espaço, que conta com uma placa com o escudo do time na entrada do terreno, ainda não é usado pelo clube – aguarda investidores para revitalizar a área. E isso depende da definição do imbróglio envolvendo o título da Copa Verde (leia saiba mais).
Nesta semana, um encontro entre as partes ocorreu. Segundo a funcionária do centro de treinamento, ela conseguiu o pagamento de um mês em atraso.