O debate sobre a obrigação de ganhar a Copa América após 18 anos de seca se instalou com força na concentração da Argentina, cabeça de chave do grupo A do torneio em 2011, onde o técnico Sergio Batista e a maioria dos jogadores admitem que sentem o peso sob as costas.
“O que acontece é que a Argentina não ganha nada há muitos anos. É preciso que esse jejum se torne mais apoio que pressão”, afirmou o volante Javier Mascherano, que quer a torcida do lado principalmente do técnico Sergio Batista, que sucedeu o ídolo Diego Maradona.
Já a estrela do time, o atacante Lionel Messi, tem uma opinião um pouco diferente da declarada por seu companheiro de Barcelona. Para o atual Bola de Ouro da Fifa, que carrega nos pés a esperança dos argentinos de ver sua seleção ser campeã novamente, exigência e pressão são dois termos diferentes. O melhor do mundo disse que não sente a segunda e que a primeira se impõe pelas condições do torneio, como o fato de jogar em casa.
Com jogadores como Mascherano, Cambiasso, Di María, Tévez, Messi, Higuaín, Agüero e Diego Milito, além do próprio Messi e de alguns outros, Batista tem em mãos um elenco acostumado a ser decisivo em suas equipes, todos líderes na Espanha, na Itália e na Inglaterra.
Artilheiro do Campeonato Inglês pelo Manchester City, Tévez por muito pouco não ficou fora da convocação por conta de desavenças com o treinador. Contudo, depois de muita pressão externa, ambos fizeram as pazes, e hoje o ex-jogador do Corinthians é o grande nome do elenco depois de Messi.
A última vez em que a Argentina ganhou a Copa América foi no Equador, em 1993, no melhor momento do artilheiro Gabriel Batistuta e sem Maradona, prejudicado por sua dependência química. Eram os tempos de Alfio Basile como técnico, com o qual os ‘hermanos’ também ficaram com o título dois anos antes, no Chile.
O pontapé inicial para tentar quebrar o jejum acontecerá no dia 1º de julho, data da abertura da Copa América, contra a Bolívia, em La Plata. Na seleção comandada pelo técnico Gustavo Quinderos, destacam-se dois atacantes com histórico ligado ao Brasil.
Marcelo Moreno, ex-jogador de Vitória e Cruzeiro, é filho de brasileiro e chegou a atuar nas categorias de base da seleção, mas preferiu defender o país em que nasceu. Já Edivaldo, ex-Atlético-PR, nasceu em Cuiabá e recebeu a dupla cidadania poucas semanas antes da convocação.
O peso das estatísticas e a história jogam contra: a Bolívia foi campeã em 1963, quando a competição ainda se chamava Campeonato Sul-Americano, e ocupou um segundo lugar em 1997, em ambos os casos como anfitriã. Em 102 partidas, ganhou 19, empatou 25 e perdeu 58.
O grupo A tem ainda Colômbia e Costa Rica. Os colombianos estarão na Argentina sonhando com o segundo título da história, depois de terem ficado com o troféu em 2001, jogando em casa.
O treinador Hernán Darío Gómez, que declarou que o objetivo é alcançar pelo menos às semifinais, tem em mãos um elenco qualificado. Os destaques são os zagueiros Yepes e Perea, o meia Guarín e principalmente o atacante Falcao García.
Já a Costa Rica entrou na competição internacional “aos 40 minutos do segundo tempo”. A confirmação aconteceu apenas no dia 17 de maio, dias depois de o Japão anunciar que desistiria de participar por sua seleção ter ficado muito tempo inativa devido ao terremoto ocorrido no país em março.
Mas a torcida costarriquenha não tem muitos motivos para se animar. O treinador Ricardo La Volpe, que comandou o México na Copa do Mundo de 2006, convocou um grupo quase todo formado por atletas com menos de 23 anos. Com força máxima, a equipe caiu para Honduras na final da Copa Ouro, disputada neste mês nos Estados Unidos.