Se as dificuldades para se classificar para as oitavas de final da atual edição da Libertadores deixou muitos palmeirenses em alerta, uma coincidência pode servir de ânimo. Há dez anos, o time comandado por Luiz Felipe Scolari também teve problemas na fase de grupos, mas acabou a competição como campeão.
Em 1999, o elenco montado sob a indicação de Felipão e o dinheiro da Parmalat, então co-gestora do Verdão, ficou em segundo lugar de sua chave com os mesmos dez pontos somados pelo plantel atualmente comandado por Wanderley Luxemburgo. Naquela ocasião, o Corinthians, com menos investimentos, liderou o grupo – como fez o Sport nesta temporada.
Outra semelhança entre as equipes é o sofrimento para ficar com a vaga na próxima etapa no último compromisso da fase de grupos. Enquanto Cleiton Xavier acertou uma bomba de fora da área para vencer o Colo Colo por 1 a 0 em Santiago, Arce contou com um desvio da barreira do Cerro Porteño para selar o triunfo por 2 a 1, de virada, no Palestra Itália.
Além disso, assim como o time montado em sua maioria pela Traffic encara o Sport para chegar às quartas de final, os chefiados por Scolari também tiveram de superar um brasileiro nas oitavas: o Vasco, campeão da Libertadores de 1998. O embate, porém, era uma exigência do regulamento, que previa a disputa entre o dono do título, que só entrava no torneio após a etapa com chaves, e o clube do mesmo país que tivesse pior campanha.
Antes de enfrentar os cariocas, o Verdão que tinha Arce, Júnior, César Sampaio, Zinho Alex e Paulo Nunes foi irregular na primeira fase. Depois de estrear com vitória por 1 a 0 sobre o Corinthians e golear o Cerro Porteño por 5 a 2 no Paraguai, perdeu por 4 a 2 para o Olímpia em Assunção, empatou com os mesmos paraguaios por 1 a 1 no Parque Antártica e ainda levou 2 a 1 do Timão antes de bater o Cerro Porteño na última rodada.
Nas oitavas, os palmeirenses ficaram no 1 a 1 com o Vasco em casa, mas se classificaram aplicando 4 a 2 em São Januário. O sucesso no Rio de Janeiro embalou o time, que passou pelo Corinthians na etapa seguinte com vitória por 2 a 0 na ida, em jogo que consagrou Marcos, e triunfo nos pênaltis após sofrer 2 a 0 na volta – os alvinegros Vampeta e Dinei erraram suas cobranças.
Nas semifinais, o Palmeiras superou o River Plate aplicando 3 a 0 em São Paulo depois de perder por 1 a 0 na Argentina. Na decisão, o Deportivo Cali fez 1 a 0 na Colômbia, mas caiu por 2 a 1 no Brasil e, nos pênaltis, o Palmeiras conquistou pela primeira e única vez em sua história a Taça Libertadores da América.