A eliminação do Brasiliense na Série D do Campeonato Brasileiro ainda refletia nos dois principais redutos do clube menos de 24h depois de sacramentado o resultado adverso. No Serejão, pouco mudou de um dia para o outro. O clima de otimismo e alegria, intensos antes do pontapé inicial do duelo contra o Brasil de Pelotas (SP), é que haviam desaparecido.
As faixas que indicavam onde as torcidas do Jacaré e do Brasil de Pelotas (RS) deveriam entrar no estádio permaneciam no mesmo lugar. O placar também estava intocado, informando que os donos da casa venceram por 2 x 1 no tempo normal, resultado que foi insuficiente para garantir a classificação para as semifinais da competição e, consequentemente, a vaga na Série C nacional. Um cenário desolador de um time que viverá por um bom tempo a ressaca da eliminação.
No Centro de Treinamento do Jacaré, outro local onde o time costuma mandar as atividades, localizado no Setor de Clubes Sul, a estampa era a mesma.
De acordo com Antônio de Sousa, o Maranhão, porteiro do CT, o ambiente foi de tristeza total. Ele chegou a trocar de turno no domingo para acompanhar o jogo.
“Rapaz, o dia foi triste demais. Pouca gente veio trabalhar, mas os que vieram estavam muito tristes. A gente fica torcendo pelo time e fica triste quando perde”, explica o funcionário, que espera por uma temporada melhor no ano que vem. “Para mim, o clube virá mais forte no ano que vem. Acho também que levará mais torcedores ao estádio”, aponta.
Curiosidade
Dois mundos distintos
1) Festa de um lado: depois de comemorar bastante o retorno à Série C com seus torcedores, com direito a camisas jogadas aos guerreiros que percorreram os mais de 2300km entre Brasília e Pelotas, atletas e comissão técnica do time gaúcho protagonizaram uma grande festa dentro do vestiário. Os gaúchos entoaram cânticos comemorando o acesso.
2) Silêncio de outro: no vestiário do Brasiliense a situação era exatamente a oposta. O silêncio na porta era quase mórbido. Alguns jogadores deixaram o lugar após conversa com a comissão técnica. Segundo o atacante Luquinhas, os jogadores foram parabenizados pela campanha. De acordo com o site oficial do clube, alguns jogadores, como Baiano e Guto, deixaram o estádio chorando, muito abatidos com o revés.
Ninguém fala sobre a derrota
Um dia após a traumática eliminação da Série D do Campeonato Brasileiro, foi difícil encontrar representantes do Brasiliense que pudessem falar sobre o que se passou na tarde de domingo contra o Brasil de Pelotas-RS, quando o time candango foi derrotado nos pênaltis.
Procurado pela reportagem para comentar o futuro da equipe candanga, o gerente de futebol do clube Paulo Henrique Lorenzo não atendeu ou retornou as ligações.
Assim como o dirigente, alguns jogadores foram procurados para comentar sobre o futuro da equipe, mas também não responderam aos chamados por telefone.
Sujeira na arquibancada
Outro ponto que chamou a atenção de forma negativa nas arquibancadas do estádio Serejão, um dia após a eliminação, foi a quantidade de lixo que ficou no setor destinado à torcida do Xavante Gaúcho, que veio de várias partes do país.
Em meio à festa pelo retorno à Série C do Campeonato Brasileiro, os fanáticos rubro-negros não respeitaram a casa do adversário e deixaram o local muito sujo.
Os torcedores, que entoaram diversas canções, inclusive uma inspirada na música Rádio Pirata, da banda de rock RPM, deixaram muitos papeis, copos e garrafas de água, algumas ainda cheias, pelo chão.