Edu não quer ter o mesmo destino de William, que ocupou o cargo de gerente de futebol do Corinthians por menos de um mês. Por isso, o ex-meio-campista foi extremamente cuidadoso com as palavras ao ser apresentado como novo dirigente do clube, nesta sexta-feira. Diretores, treinadores e jogadores foram alvos dos seus elogios.
“O clube está em um bom caminho. Não há nada alarmante para que a gente faça grandes mudanças. Não voltei para fazer coisas mirabolantes. Aos poucos, posso passar as minhas ideia nesse novo cargo. Mas, primeiro, quero me estabelecer aqui dentro, fazendo tudo com calma”, discursou Edu.
A cautela de Edu nos seus primeiros dias como dirigente é justificável. William pediu demissão depois de ser desautorizado a sacramentar a contratação do volante Willian Magrão, que continuou no Grêmio. “Para encerrar esse assunto, a gente não teve problema com o William. Ele queria implantar algumas ideias e viu que não seria possível. Só isso. Continua sendo um amigo nosso”, retrucou Duílio Monteiro Alves, diretor adjunto de futebol.
Assim que se desvinculou do Corinthians, William mandou uma mensagem para o telefone celular do ex-companheiro e “amigo íntimo” (como o ex-volante se definiu) Edu. “Mas ele não me deu muitos detalhes sobre a saída. Para não ser indelicado, também não fiquei perguntando”, comentou o novo gerente de futebol, que, dias depois, recebeu o convite do presidente Andrés Sanchez para assumir o cargo vago.
Em nenhum momento de sua apresentação, Edu se posicionou sobre as possíveis contratações do Corinthians. Explicou que ainda não estava ambientado à função assumida no clube e mostrou respeitar a hierarquia. “Mas a maioria das coisas é resolvida entre todos. O Edu pode fazer a ligação entre a diretoria e a comissão técnica. Ele fala com todos e traz as informações para a gente”, simplificou o diretor de futebol Roberto de Andrade.
Para essa incumbência, Edu conta com o bom relacionamento com o elenco que integrava até a primeira semana de janeiro deste ano. “Disse a eles que gostaria de continuar com a mesma intimidade de antes. Os jogadores podem vir até mim e expor algum receio que tenham, até porque eu estava do lado deles quando era atleta”, disse.
O gerente de futebol ainda assegurou que também é amigo do técnico Tite – favorável à quebra de seu contrato como jogador no início do ano. “Saí daqui de bem com o Tite. No primeiro dia de trabalho dele aqui, tivemos uma conversa extremamente agradável. Continuamos com essa relação saudável, sem problemas. Ele sempre me escutou. Espero continuar com esse mesmo relacionamento”, declarou.
Edu teve uma segunda passagem apagada como volante do Corinthians. Autor do gol do título da Copa São Paulo de Juniores de 1999 e responsável por converter um dos pênaltis da decisão do Mundial de Clubes de 2000, ele retornou em julho de 2009 ao Parque São Jorge depois de passar por Arsenal, da Inglaterra, Valencia, da Espanha, e seleção brasileira. Aos 32 anos, sofreu uma série de lesões e cobrou publicamente o técnico Mano Menezes quando foi preterido até do banco de reservas em alguns jogos.
Mas até Mano foi poupado pelo dirigente Edu, que admitiu a hipótese de contratar o treinador da seleção brasileira se tivesse a oportunidade. “Tudo depende da situação. Sem dúvida, o Mano é um grandíssimo treinador. E não estou sendo politicamente correto. Ele é uma realidade e fez por merecer seu sucesso”, enalteceu, antes de dar mais uma mostra de sua subserviência. “Não tenho nem poder para contratá-lo.”