Divisão por partido dos deputados que tiraram o nome da proposta da CPMI |
PMDB – 19 |
Na opinião de Torres, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) teve participação direta no término do processo. “A CBF, que controla as decisões sobre a Copa, passou a pressionar governadores e prefeitos. Esses governadores passaram a pressão para os deputados, que foram avisados que deviam colaborar para não haver investigação”, explicou o deputado.
O parlamentar argumentou que a pressão iniciou antes mesmo do anúncio da Fifa, feito em 30 de outubro. “Antes da escolha, a pressão já tinha começado. Depois da escolha, isso só aumentou e acabou se dando em cima dos estados que disputam a sede da Copa”, comentou Torres.
Divisão por estado dos deputados que tiraram o nome da proposta da CPMI |
Minas Gerais – 22 |
Segundo Torres, o fato não é apenas uma coincidência. “A Bancada da Bola fez o seu papel, mas o problema maior é que o (presidente da CBF, Ricardo) Teixeira levou 12 governadores para a Suíça, três ministros e até o presidente para a Suíça. Lá, todos foram convencidos que a CPMI podia atrapalhar. Não há dúvida que alguns estados têm mais interesses e os deputados foram chamados a colaborar. A gente sabia disso”, relatou.
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) explica que a ação era visível em Brasília. “O motivo para a não criação é a existência de corrupções que podem ser reveladas. Havia lobistas dentro do Congresso, andando pelos corredores e fazendo corpo-a-corpo com os parlamentares”, admitiu.
A maior preocupação de Torres é o poder mostrado pela CBF, sobrepondo inclusive o interesse público. “Estou mais lamentando que o futebol brasileiro ainda tenha esta capacidade de influenciar as decisões do Congresso Nacional, apesar de se ver cercado de denúncias, quase falido. Isso só mostra a fragilidade do nosso Congresso. Foi um péssimo precedente”, analisou.
Após o revés, Torres disse que não tem intenção em fazer uma nova proposta de CPMI, enquanto Dias estuda os próximos passos, já que o Senado Federal poderia abrir a CPMI, mas ressalta que só iniciará a comissão com o trabalho conjunto da Câmara dos Deputados.
“O governo não tinha interesse na investigação e conseguiu o que queria”, lamentou Torres. Um dos principais nomes da CPI da Nike, realizada entre 2000 e 2002, o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) não referendou a CPMI, assim como Gilmar Machado (PT-MG), um dos responsáveis pela criação do Estatuto do Torcedor. Procurada pela reportagem, a CBF afirmou que não se pronunciará sobre o caso.
Veja abaixo a lista de senadores que retiram as assinaturas:
Adelmir Santana (DEM/DF)
Almeida Lima (PMDB/SE)
Cícero Lucena (PSDB/PB)
Flexa Ribeiro (PSDB/PA)
Garibaldi Alves Filho (PMDB/RN)
João Tenório (PSDB/AL)
Veja abaixo a lista dos deputados que retiraram suas assinaturas:
Afonso Hamm – (PP/RS)
Airton Roveda (PR/PR)
Alexandre Silveira (PPS/MG)
Angelo Vanhoni (PT/PR)
Anibal Gomes (PMDB/CE)
Anselmo de Jesus (PT/RO)
Antonio Bulhões (PMDB/SP)
Antonio Roberto (PV/MG)
Arnon Bezerra (PTB/CE)
Asdrubal Bentes (PMDB/PA)
Ayrton Xeres (DEM/RJ)
Benedito Sá (PSB/PI)
Bonifácio de Andrada (PSDB/MG)
Bruno Araújo (PSDB/PE)
Camilo Cola (PMDB/ES)
Carlos Alberto Leréia (PSDB/GO)
Carlos Brandão (PSDB/MA)
Chico da Princesa (PR/PR)
Cida Diogo (PT/RJ)
Ciro Pedrosa (PV/MG)
Claudio Cajado (DEM/BA)
Cleber Verde (PTB/MA)
Colbert Martins (PMDB/BA)
Cristiano Matheus (PMDB/AL)
Davi Alcolumbre (DEM/AP)
Décio Lima (PT/SC)
Domingos Dutra (PT/MA)
Dr. Pinotti (DEM/SP)
Dr. Talmir (PV/SP)
Edinho Bez (PMDB/SC)
Edmar Moreira (DEM/MG)
Eduardo Barbosa (PSDB/MG)
Eugênio Rabelo (PP/CE)
Evandro Milhomen (PCdoB/AP)
Fátima Pelaes (PT/RN)
Fernando de Fabinho (DEM/BA)
Fernando Ferro (PT/PE)
Flávio Dino (PCdoB/MA)
Francisco Rodrigues (DEM/RR)
Frank Aguiar (PTB/SP)
Gastão Vieira (PMDB/MA)
Geraldo Pudim (PMDB/RJ)
Gonzaga Patriota (PSB/PE)
Homero Pereira (PR/MT)
Ilderlei Cordeiro (PPS/AC)
Índio da Costa (DEM/RJ)
Jaime Martins (PR/MG)
Jairo Ataíde (DEM/MG)
Jô Moraes (PCdoB/MG)
João Magalhães (PMDB/MG)
João Pizzolatti (PP/SC)
José Fernando Aparecido de Oliveira (PV/MG)
Jorge Khoury (DEM/BA)
José Carlos Aleluia (DEM/BA)
Joseph Bandeira (PT/BA)
Júlio Delgado (PSB/MG)
Jusmari Oliveira (PR/BA)
Laerte Bessa (PMDB/DF)
Lelo Coimbra (PMDB/ES)
Léo Alcântara (PR/CE)
Lincoln Portela (PR/MG)
Luciana Costa (PR/SP)
Luciano Castro (PR/RR)
Luiz Couto (PT/PB)
Marcio França (PSB/SP)
Marcio Reinaldo Moreira (PP/MG)
Marcondes Gadelha (PSB/PB)
Marcos Montes (DEM/MG)
Maria Lúcia Cardoso (PMDB/MG)
Maurício Rands (PT/PE)
Milton Monti (PR/SP)
Nárcio Rodrigues (PSDB/MG)
Neilton Mulin (PR/RJ)
Nelson Bornier (PMDB/RJ)
Nelson Goetten (PR/SC)
Nelson Marquezelli (PTB/SP)
Nelson Meurer (PP/PR)
Neucimar Fraga (PR/ES)
Osmar Serraglio (PMDB/PR)
Pastor Manuel Ferreira (PTB/RJ)
Paulo Abi-Ackel (PSDB/MG)
Paulo Bornhausen (DEM/SC)
Paulo Henrique Lustosa (PMDB/CE)
Paulo Pereira (PDT/SP)
Pedro Fernandes (PTB/MA)
Pepe Vargas (PT/RS)
Perpétua Almeida (PCdoB/AC)
Pinto Itamaraty (PSDB/MA)
Prof. Sétimo (PMDB/MA)
Rafael Guerra (PSDB/MG)
Ribamar Alves (PSB/MA)
Roberto Rocha (PSDB/MA)
Rodrigo de Castro (PSDB/MG)
Sebastião Madeira (PSDB/MA)
Sérgio Moraes (PTB/RS)
Urzeni Rocha (PSDB/RR)
Valadares Filho (PSB/SE)
Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM)
Vicentinho Alves (PR/TO)
Virgílio Gumarães (PT/MG)
Vitor Penido (DEM/MG)
Waldir Maranhão (PP/MA)
Wladimir Costa (PMDB/PA)
Zé Geraldo (PT/PA)
Zequinha Marinho (PMDB/PA)