Menu
Futebol

Deputado vê lobby da CBF em arquivamento da CPMI do Corinthians

Arquivo Geral

08/11/2007 0h00



< !-- hotwords -- >
Nove dias após o Brasil ser escolhido como sede da Copa do Mundo de 2014, o país viu o fracasso da proposta do deputado federal Silvo Torres (PSDB-SP) de criar uma comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) para investigar denúncias de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e crimes contra a ordem tributária nos clubes de futebol brasileiros.








Divisão por partido dos deputados que tiraram o nome da proposta da CPMI

PMDB – 19
DEM – 14
PR – 14
PSDB – 13
PT – 13
PSB – 7
PTB – 7
PP – 6
PC do B – 5
PV – 4
PPS – 2
PDT – 1

A proposta não conseguiu as 171 assinaturas necessárias de deputados federais para a sua criação, apesar de chegar a ter 282 em todo seu processo. Porém, a retirada de 105 nomes tratou de enterrar a CPMI, antes mesmo de sua criação. No Senado, apesar de seis senadores terem retirado as assinaturas, a exigência de 27 nomes foi conseguida, com 39 assinaturas.

Na opinião de Torres, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) teve participação direta no término do processo. “A CBF, que controla as decisões sobre a Copa, passou a pressionar governadores e prefeitos. Esses governadores passaram a pressão para os deputados, que foram avisados que deviam colaborar para não haver investigação”, explicou o deputado.

O parlamentar argumentou que a pressão iniciou antes mesmo do anúncio da Fifa, feito em 30 de outubro. “Antes da escolha, a pressão já tinha começado. Depois da escolha, isso só aumentou e acabou se dando em cima dos estados que disputam a sede da Copa”, comentou Torres.








Divisão por estado dos deputados que tiraram o nome da proposta da CPMI

Minas Gerais – 22
Maranhão – 12
São Paulo – 9
Bahia – 7
Rio de Janeiro – 7
Ceará – 5
Paraná – 5
Santa Catarina – 5
Pará – 4
Pernambuco – 4
Espírito Santo – 3
Rio Grande do Sul – 3
Roraima – 3
Acre – 2
Amapá – 2
Paraíba – 2
Alagoas – 1
Amazonas – 1
Distrito Federal – 1
Goiás – 1
Mato Grosso – 1
Piauí – 1
Rio Grande do Norte – 1
Rondônia – 1
Sergipe – 1
Tocantins – 1PMDB – 19
DEM – 14
PR – 14
PSDB – 13
PT – 13
PSB – 7
PTB – 7
PP – 6
PC do B – 5
PV – 4
PPS – 2
PDT – 1

Na disputa para receber o jogo de abertura da Copa, Minas Gerais foi a unidade federativa com a maior debandada, com 22 deputados. São Paulo, que disputa com os mineiros a abertura do Mundial, teve nove nomes retirados. Aliás, dos dez estados que mais tiveram deputados retirando assinaturas, nove (Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Ceará, Paraná, Santa Catarina, Pará e Pernambuco) estão entre as que pleiteiam uma sede no Mundial. A exceção foi o Maranhão.

Segundo Torres, o fato não é apenas uma coincidência. “A Bancada da Bola fez o seu papel, mas o problema maior é que o (presidente da CBF, Ricardo) Teixeira levou 12 governadores para a Suíça, três ministros e até o presidente para a Suíça. Lá, todos foram convencidos que a CPMI podia atrapalhar. Não há dúvida que alguns estados têm mais interesses e os deputados foram chamados a colaborar. A gente sabia disso”, relatou.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) explica que a ação era visível em Brasília. “O motivo para a não criação é a existência de corrupções que podem ser reveladas. Havia lobistas dentro do Congresso, andando pelos corredores e fazendo corpo-a-corpo com os parlamentares”, admitiu.

A maior preocupação de Torres é o poder mostrado pela CBF, sobrepondo inclusive o interesse público. “Estou mais lamentando que o futebol brasileiro ainda tenha esta capacidade de influenciar as decisões do Congresso Nacional, apesar de se ver cercado de denúncias, quase falido. Isso só mostra a fragilidade do nosso Congresso. Foi um péssimo precedente”, analisou.

Após o revés, Torres disse que não tem intenção em fazer uma nova proposta de CPMI, enquanto Dias estuda os próximos passos, já que o Senado Federal poderia abrir a CPMI, mas ressalta que só iniciará a comissão com o trabalho conjunto da Câmara dos Deputados.

“O governo não tinha interesse na investigação e conseguiu o que queria”, lamentou Torres. Um dos principais nomes da CPI da Nike, realizada entre 2000 e 2002, o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) não referendou a CPMI, assim como Gilmar Machado (PT-MG), um dos responsáveis pela criação do Estatuto do Torcedor. Procurada pela reportagem, a CBF afirmou que não se pronunciará sobre o caso.

Veja abaixo a lista de senadores que retiram as assinaturas:

Adelmir Santana (DEM/DF)
Almeida Lima (PMDB/SE)
Cícero Lucena (PSDB/PB)
Flexa Ribeiro (PSDB/PA)
Garibaldi Alves Filho (PMDB/RN)
João Tenório (PSDB/AL)

Veja abaixo a lista dos deputados que retiraram suas assinaturas:

Afonso Hamm – (PP/RS)
Airton Roveda (PR/PR)
Alexandre Silveira (PPS/MG)
Angelo Vanhoni (PT/PR)
Anibal Gomes (PMDB/CE)
Anselmo de Jesus (PT/RO)
Antonio Bulhões (PMDB/SP)
Antonio Roberto (PV/MG)
Arnon Bezerra (PTB/CE)
Asdrubal Bentes (PMDB/PA)
Ayrton Xeres (DEM/RJ)
Benedito Sá (PSB/PI)
Bonifácio de Andrada (PSDB/MG)
Bruno Araújo (PSDB/PE)
Camilo Cola (PMDB/ES)
Carlos Alberto Leréia (PSDB/GO)
Carlos Brandão (PSDB/MA)
Chico da Princesa (PR/PR)
Cida Diogo (PT/RJ)
Ciro Pedrosa (PV/MG)
Claudio Cajado (DEM/BA)
Cleber Verde (PTB/MA)
Colbert Martins (PMDB/BA)
Cristiano Matheus (PMDB/AL)
Davi Alcolumbre (DEM/AP)
Décio Lima (PT/SC)
Domingos Dutra (PT/MA)
Dr. Pinotti (DEM/SP)
Dr. Talmir (PV/SP)
Edinho Bez (PMDB/SC)
Edmar Moreira (DEM/MG)
Eduardo Barbosa (PSDB/MG)
Eugênio Rabelo (PP/CE)
Evandro Milhomen (PCdoB/AP)
Fátima Pelaes (PT/RN)
Fernando de Fabinho (DEM/BA)
Fernando Ferro (PT/PE)
Flávio Dino (PCdoB/MA)
Francisco Rodrigues (DEM/RR)
Frank Aguiar (PTB/SP)
Gastão Vieira (PMDB/MA)
Geraldo Pudim (PMDB/RJ)
Gonzaga Patriota (PSB/PE)
Homero Pereira (PR/MT)
Ilderlei Cordeiro (PPS/AC)
Índio da Costa (DEM/RJ)
Jaime Martins (PR/MG)
Jairo Ataíde (DEM/MG)
Jô Moraes (PCdoB/MG)
João Magalhães (PMDB/MG)
João Pizzolatti (PP/SC)
José Fernando Aparecido de Oliveira (PV/MG)
Jorge Khoury (DEM/BA)
José Carlos Aleluia (DEM/BA)
Joseph Bandeira (PT/BA)
Júlio Delgado (PSB/MG)
Jusmari Oliveira (PR/BA)
Laerte Bessa (PMDB/DF)
Lelo Coimbra (PMDB/ES)
Léo Alcântara (PR/CE)
Lincoln Portela (PR/MG)
Luciana Costa (PR/SP)
Luciano Castro (PR/RR)
Luiz Couto (PT/PB)
Marcio França (PSB/SP)
Marcio Reinaldo Moreira (PP/MG)
Marcondes Gadelha (PSB/PB)
Marcos Montes (DEM/MG)
Maria Lúcia Cardoso (PMDB/MG)
Maurício Rands (PT/PE)
Milton Monti (PR/SP)
Nárcio Rodrigues (PSDB/MG)
Neilton Mulin (PR/RJ)
Nelson Bornier (PMDB/RJ)
Nelson Goetten (PR/SC)
Nelson Marquezelli (PTB/SP)
Nelson Meurer (PP/PR)
Neucimar Fraga (PR/ES)
Osmar Serraglio (PMDB/PR)
Pastor Manuel Ferreira (PTB/RJ)
Paulo Abi-Ackel (PSDB/MG)
Paulo Bornhausen (DEM/SC)
Paulo Henrique Lustosa (PMDB/CE)
Paulo Pereira (PDT/SP)
Pedro Fernandes (PTB/MA)
Pepe Vargas (PT/RS)
Perpétua Almeida (PCdoB/AC)
Pinto Itamaraty (PSDB/MA)
Prof. Sétimo (PMDB/MA)
Rafael Guerra (PSDB/MG)
Ribamar Alves (PSB/MA)
Roberto Rocha (PSDB/MA)
Rodrigo de Castro (PSDB/MG)
Sebastião Madeira (PSDB/MA)
Sérgio Moraes (PTB/RS)
Urzeni Rocha (PSDB/RR)
Valadares Filho (PSB/SE)
Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM)
Vicentinho Alves (PR/TO)
Virgílio Gumarães (PT/MG)
Vitor Penido (DEM/MG)
Waldir Maranhão (PP/MA)
Wladimir Costa (PMDB/PA)
Zé Geraldo (PT/PA)
Zequinha Marinho (PMDB/PA)

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado