O volante Cristian se identifica com a torcida do Corinthians. Sereno no dia a dia, quando está em campo o jogador se transforma. Discute asperamente com adversários, entrega-se em todas as jogadas e gosta de correr para as arquibancadas para festejar – já chegou até a provocar os são-paulinos, ao comemorar um gol com os braços cruzados e os dedos médios em riste nas semifinais do Campeonato Paulista.
O atacante Ronaldo ironizou as críticas ao gesto de Cristian depois de também balançar as redes contra o São Paulo. Em vez dos dedos do meio, exibiu os indicadores. O astro se disse “mais um louco no bando” quando chegou ao Parque São Jorge e atualmente é o ídolo maior dos corintianos, a quem não cansa de elogiar. Mas não gosta de desordem, como a que ocorreu na festa pelo título estadual, domingo, no Pacaembu. Até se assustou quando um torcedor invadiu o campo para abraçá-lo.
“A gente sabe que o Ronaldo estava fora do país, onde não tem esse tipo de coisa, e acaba sendo pego de surpresa. Mas eu sou do povão. Minha família também gosta. Não tem mistério para a gente”, avisou Cristian, sorridente.
Se Ronaldo fugiu da volta olímpica do Corinthians no Pacaembu, preocupado com o assédio de fotógrafos e indignado com o incêndio no palanque armado pela Federação Paulista de Futebol (FPF), Cristian foi um dos últimos jogadores a descer para o vestiário. Após vibrar bastante com o público, o volante brincou calmamente com o filho Cristian Júnior no gramado.
Com o seu jeito simples, Cristian conquistou definitivamente o povão corintiano depois do Campeonato Paulista. Suas atitudes em campo também colaboraram para o bom relacionamento com a torcida. “Sou um cara guerreiro, que não desiste nunca. Estou vestindo uma camisa de peso, que exige dedicação do início ao fim dos jogos. Não gosto de perder. Depois que a partida acaba, sou uma pessoa bem tranquila”, fez auto-análise o jogador, que só foi derrotado uma vez pelo Corinthians, 3 a 2 para o Atlético-PR na semana passada.
Embora se diferencie de Ronaldo, Cristian lembrou que o amigo também é idolatrado pela torcida do Corinthians por sua postura. No clássico contra o Palmeiras pelo Campeonato Paulista, por exemplo, o atacante marcou um gol no final do jogo e derrubou o alambrado do estádio Prudentão ao comemorar com a torcida. Depois, classificou o seu ato como “imprudente”.