O futebol tipo exportação feito no Brasil vem minando as chances de um torcedor ver o ídolo de seu clube vestindo também a camisa da seleção verde-amarela. Pelo menos foi essa a opinião do técnico Dunga, que nesta quinta-feira admitiu: os 33 jogadores finalistas do prêmio de Craque do Brasileirão de 2008 dificilmente seguirão no País no ano que vem.
“Da relação do campeonato deste ano, muitos deles não estarão mais no Brasil ano que vem”, comentou Dunga, responsável por anunciar os três finalistas de cada posição para o prêmio. O treinador da seleção canarinho, no entanto, se eximiu do fato de ter em suas convocações uma maioria absoluta de atletas que atuam na Europa.
“Muitos desses jogadores concorrentes ao prêmio já estiveram conosco na seleção, já que sempre quase 30% dos nomes da minha lista são do Brasil”, argumentou o treinador gaúcho. “Mas se eu convocá-los ano que vem, quando não estarão mais jogando por aqui, caímos na mesma questão: o homem tem que estar lá fora para ser chamado?”, indagou.
Recentemente, um caso curioso aconteceu na seleção brasileira de Dunga: o zagueiro Henrique. Destaque do Coritiba na Série B do Campeonato Brasileiro de 2007, o defensor foi contratado pelo Palmeiras no início deste ano e foi o xerife da zaga do time alviverde, campeão paulista.
Henrique inclusive foi chamado para defender a seleção brasileira, mas não teve boas apresentações. O jogador falhou no primeiro gol da Venezuela, que bateu o time de Dunga por 2 a 0 nos Estados Unidos, e depois ficou no banco na vitória nacional por 3 a 2 sobre o Canadá.
O defensor, então, foi negociado com o Barcelona por R$ 25 milhões e nunca mais apareceu entre os convocados. Nem para as Olimpíadas de Pequim, embora tivesse idade inferior a 23 anos.
“Acontece que os jogadores se destacam aqui, são chamados para a seleção e depois são vendidos. Tem também até os que nem são convocados e são negociados”, complementou Dunga. “Não dá para colocar a responsabilidade na gente. É uma questão de mercado”, defendeu-se.