Cuidar do gramado do estádio do Bezerrão é motivo de orgulho para o jardineiro Raimundo Ferreira. Ontem à tarde, ele tratava com enorme atenção o tapete do local, que vai receber seleções da Copa do Mundo durante o período de jogos em Brasília – o Centro de Capacitação Física do Corpo de Bombeiros, no Setor Policial Sul, será o outro ponto de treinamento oficial.
Bem-humorado, ele garante que a Fifa não tem aliviado quanto aos cuidados com o estádio. “Eles estão vindo aqui no Gama todos os dias para ver se tudo está dentro dos conformes”, diz.
De acordo com ele, o gramado passa por uma vistoria diária para assegurar se está úmido ou seco demais. Ontem, enquanto a reportagem visitava o local, Raimundo citou que o engenheiro da entidade havia pedido que o campo fosse molhado apenas uma vez por dia e durante 10 minutos após o processo de adubação – líquido ou sólido.
Ao caminhar pelo relvado era possível ver pequenas bolas brancas e vermelhas espalhadas. Raimundo se antecipou esclarecendo que este era o adubo usado por eles para manter o gramado saudável. “Amanhã vamos jogar o (adubo) líquido”, acrescenta o maranhense.
Tamanha cautela tem dado resultado, e o tapete está com uma boa coloração e corte.
Apesar disso, o profissional destaca que há muito o que fazer. “A grama está boa, mas ainda não está do jeito que deveria. Daqui para o final do mês a gente consegue finalizar tudo com perfeição”, assegura o profissional.
A mulher não deixa, não
Sabendo que toda cautela é pouca e essencial para a preparação das seleções que vão estar na capital, Raimundo comemora fazer parte desse processo, mas lamenta ter de assistir aos jogos bem longe do estádio.
Com muito humor, ele diz que vai ficar em casa e a “culpada” por tudo isso é a mulher ciumenta.
“Lá no Maranhão tem uma cobra chamada Buiuna. A ‘bicha’ é tão brava que se você jogar uma pedra ela morre de raiva porque não pode dar o bote. Minha mulher é assim. Então vou ficar em casa”, brinca o profissional.
Setores demandam atenção
Com o gramado praticamente perfeito para receber os treinos das seleções que passarão por Brasília no Mundial, outros pontos do Bezerrão passam pelos últimos detalhes.
O cuidado atinge até o corredor que leva os jogadores ao gramado. “Eles limpam e dão brilho aqui todos os dias”, confirma o analista de gestões políticas, Lailton Bezerra.
Nos vestiários, a situação segue no mesmo nível, porém, era possível perceber alguns detalhes inacabados, tais como fios soltos e lâmpadas penduradas.
Em um dos quatro (vestiários) existentes, os motores da banheira de hidromassagem estavam sem a grade de proteção. Este, no entanto, é o único que possui hidromassagem coletiva que comporta mais de 20 atletas.
Há mais de 30 anos trabalhando com estádios, Lailton explica que o vestiário é diferente por “culpa” da seleção brasileira. De acordo com ele, a mudança ocorreu quando Brasil jogou com Portugal no amistoso que inaugurou o Bezerrão, em 2008, vencido pelo time canarinho por 6 x 2.
“Eles quiseram mudar e a gente o fez. Todos os outros três tem oito banheiras individuais”, completa.
Tem que pintar
Outro detalhe que chamou a atenção foi a falta de pintura na parede da saída dos vestiários. Naquele local era possível perceber a formação de bolhas na tinta e sinais de mofo por ali.
Do lado de fora do estádio algumas pichações deixavam o muro nada agradável.