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Futebol

Contratação de Lewandowski põe em xeque filosofia de Guardiola

Arquivo Geral

06/01/2014 14h00

Um dos atacante mais cobiçados do mundo, Robert Lewandowski reforçará o Bayern na próxima temporada. A chegada do polonês à Munique pode resultar na saída de Mario Mandzukic, atual centroavante bávaro que não tem lá muito prestígio com o técnico Pep Guardiola. A predileção do treinador por ataques mais “flexíveis” faz o croata perder espaço no elenco, assim, o Bayern terá dois centroavantes de nível mundial, que serão comandados por um técnico com predisposição a não usar atletas desta posição.

Tendo conquistado o mundo duas vezes sem um centroavante em sua equipe titular, o técnico espanhol criou a função de “falso 9” no Barcelona, onde Lionel Messi atuava como atacante mais avançado, mas também voltava à intermediária para criar jogadas entre os volantes e os zagueiros adversários. Atualmente no comando do Bayern, Guardiola refuta, com frequência, usar Mandzukic no comando de ataque e opta por um futebol flexível, sem centroavante.

De certo modo, portanto, a contratação de Lewandowski vai de encontro às convicções do técnico. Guardiola prefere tirar Mandzukic do comando de ataque sempre que pode, substituindo-o muitas vezes por Thomas Muller, responsável por fazer papel que era de Messi no Barcelona comandado pelo técnico espanhol. Como o croata seguiu marcando gols e tendo boas atuações, o técnico se viu obrigado a mantê-lo na equipe e agora terá dois centroavantes de nível mundial no elenco, apesar de não mostrar empolgação com atletas da posição.

Nas últimas dez partidas do Bayern na temporada, Mandzukic atuou em 637 minutos, cerca de 71% do tempo que o time de Munique ficou em campo. É possível dizer, portanto, que ele é titular da equipe. Mas a flexibilidade do sistema ofensivo bávaro permite que Guardiola aposte em outros atletas sem que o ataque perca qualidade. No Campeonato Alemão, por exemplo, o croata é um dos quatro jogadores bávaros que atuaram em todas as partidas, mas só jogou sete partidas completas.

A concorrência de Pizarro, porém, não é suficiente para tirar o posto de principal “camisa 9” do grupo. Ainda assim, o croata tem dificuldades de convencer Pep Guardiola de que merece ser titular, apesar de brigar pela artilharia do campeonato nacional. Com a chegada de outro centroavante, a missão de jogar mais minutos ficará ainda mais difícil e Mandzukic deve perder espaço se permanecer no clube.

Nesta temporada, o atual centroavante do Bayern de Munique marcou dez gols em dezesseis partidas do torneio nacional, alcançado média de 0,62 gol por jogo. O croata finalizou 21 bolas e só errou o gol em 36% das vezes. Em média, chutou 1,3 vezes por jogo e marcou uma vez a cada 3,3 arremates.

O atacante também tem bom desempenho na criação de jogadas, tendo produzido 16 chances de gol no torneio. Além disso, acertou 70% dos passes que tentou – foram 183 toques certos no campeonato e 49 errados.

Neste contexto, a imprensa alemã especula que o centroavante croata estaria de saída do Bayern e a chegada de Lewandowski seria mais um indício de que os dias de Mandzukic no clube bávaro estão contatos. O técnico Guardiola nega a transferência e ressalta a importância do atleta, mas os ingleses Manchester United e Arsenal estariam interessados e devem investir pesado para contar com o jogador.

Então por que contratar Lewandowski ao invés de dar mais oportunidades a Mandzukic?

Porque a contratação não custará nada aos cofres bávaros e, mais importante, porque os números do polonês são ligeiramente melhores. Lewandowski é o artilheiro do Alemão com 11 gols marcados em 17 jogos. O atacante do Borussia atuou em muito mais minutos do que Mandzukic no campeonato, mas, se compararmos os números, a diferença é palpável. São 56 finalizações no torneio, com 68% de acerto ao gol. Além disso, o polonês deu quatro assistências e criou mais 20 chances dando passes-chave. Lewandowski ainda tem aproveitamento de passes ligeiramente melhor que o futuro companheiro, tendo acertado 73% dos toques. O centroavante do Dortmund ainda balançou as redes quatro vezes nesta edição da Liga dos Campeões, contra duas de Mandzukic.

No geral, portanto, Lewandowski tem mais gols, acerta o gol com mais frequência, acerta mais e tem melhor aproveitamento nos passes, além de criar mais chances do que Mandzukic. Há de se levar em consideração que o polonês é o homem mais acionado do Borussia Dortmund, enquanto o croata joga 2/3 do tempo que o Bayern fica em campo, mas melhor média de finalizações e passes independe da equipe em que se atua.

Levando em consideração que Borussia Dortmund e Bayern de Munique têm jogadores de qualidade parecida – a maioria atua no mais alto nível e teria espaço em todas as equipes do mundo -, os números de Lewandowski são ligeiramente melhores que o de Mandzukic, mas é no mínimo estranho que um clube tenha dois centroavantes deste nível sendo que a filosofia do treinador prega a não utilização de atletas da posição.

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