Depois de ver algumas de suas promessas das categorias de base saírem por intermédio de liminares questionando os seus “contratos de gaveta”, o Santos pensa em abandonar essa tática adotada pelo clube, que tinha como idéia assegurar a permanência de seus jovens atletas na equipe. Segundo o presidente Marcelo Teixeira, essa postura já está sendo revista pela diretoria.
“Antigamente, não havia problema. No entanto, hoje alguns procuradores agem de maneira nociva, buscando sempre uma alternativa para chegar aos atletas e conseguir uma liberação”, disse Teixeira. “Por isso, essa advertência jurídica (contrato de gaveta) não tem mais a mesma eficácia. No momento, os juízes estão dando ganho de causa aos jogadores”, constatou.
O acordo de gaveta consiste na assinatura de dois vínculos com o atleta contratado pelo clube, sendo que apenas um é registrado na hora na CBF, enquanto o outro fica de posse da agremiação, sem cópia para o jogador. Após o término do primeiro, o segundo vínculo é aplicado imediatamente, mesmo que não haja a anuência do atleta.
Contestadores dessa prática da cúpula alvinegra, Marcelo (Wisla Cracóvia), Renatinho (Kawasaki Frontale) e Denis (Corinthians) conseguiram invalidar o contrato futuro na Justiça. O atacante Alemão não teve a mesma sorte: tido como uma das maiores promessas das categorias de base do Peixe nos últimos anos, Alemão foi embora sem deixar um centavo ao clube, mas ainda discute judicialmente a sua liberação para a Udinese, da Itália.
Por conta de todo esse histórico negativo, Teixeira garantiu que os contratos de gaveta estão com os dias contados e devem ser abolidos definitivamente no Santos. “Sempre procuramos nos precaver, como em 2000, quando antecipamos a legislação esportiva e, desta forma, resguardamos o nosso patrimônio, com o lucro das negociações desses jogadores. Agora, estamos revendo esses conceitos. Não podemos mais correr riscos, pois pretendemos manter os atletas da base aqui e não perdê-los”, concluiu.