O Brazlândia pode se gabar de ser vanguarda no que se diz respeito a honrar os compromissos com seus jogadores. O jeito tradicional de pagar salário mensalmente está totalmente fora de moda no clube. A onda do momento são os vales. “Aqui nunca se recebeu em um dia fixo. Todos os jogadores que vêm, sabem que vão receber aos poucos. Em dez dias um pouco, depois de 20 dias recebe mais, sempre fazendo vales para eles”, revela o gerente de futebol Roberval de Paula.
Embora a situação seja digna de comparar a diretoria da Garça a algum estilista criador de tendências, o momento do clube candango é grave. O dinheiro que circula é contado. Como forma de auxílio, os jogadores recebem diariamente uma quantia para locomoção. “Nós gastamos todos os dias R$ 250 para que os atletas venham treinar aqui”, diz Roberval.
Toda e qualquer economia tem sido feita pelos dirigentes do Brazlândia. A nova tática será concentrar um dia antes do normal para não ter de arcar com o custo do combustível dos atletas.
A fim de economizar ainda mais, o clube efetivou Ricaom Ruthes, filho do presidente do clube, Moacir Ruthes – ele terá a companhia de um preparador físico e só. Não há sequer um preparador de goleiros.
Jornada dupla?
Fato comum no futebol de Brasília, alguns jogadores costumam dividir a atenção dos gramados com outros empregos. No Brazlândia, porém, há uma peculiaridade: o futebol pode ficar em segundo plano.
Ontem, por exemplo, o lateral Bruno, professor em uma academia, não compareceu ao treino porque estava em horário de dar aula. O mesmo ocorreu com o goleiro reserva Abraão, que dava aulas na escolinha do clube e também não treinou com o elenco.
Situação de Luquinhas indefinida
O afastamento do jovem Luquinhas do Brasília gerou grande desconforto entre atleta e o clube. Isso depois de o empresário do garoto, o meia Rochinha, detonar na imprensa a diretoria e a comissão técnica do clube após a partida entre Ceilândia x Capital, clube onde o veterano jogador atua.
Responsável direto por barrar o atacante, o técnico Gauchinho acredita que o jogador não está focado: “Para nós chegou uma informação de que ele acertou com o Atlético Goianiense. É um boato que circula, mas fizemos um levantamento das atuações dele e vi que já não estava rendendo como antes. Por isso resolvi tirá-lo, para que ele pense se quer nos ajudar.”
Ciente das críticas de Rochinha – disse que Gauchinho não é um bom técnico e que “está de sacanagem” –, o treinador preferiu não polemizar. “Para mim, o que ele disse é irrelevante. Na verdade, acho que ele está querendo atacar ao seu Luis (Alcoforado) e a mim, que o tirei do time porque não estava rendendo”, rebateu.
Troca de princípios
O treinador ainda comentou sobre a alegação de falta de respeito do Colorado com o jogador. “Creio que o Rochinha anda trocando os princípios. O Luquinhas é que precisa respeitar o Brasília. Nenhum jogador aqui é maior que o grupo”, afirmou o treinador.
A situação, no entanto, não é um caminho sem volta. O treinador é político e crê que uma mudança de comportamento pode devolver o atacante ao clube. “Eu preciso de uma resposta do Luquinhas, se ele quer manter não só o corpo, mas a cabeça aqui. Depois não me interessa para onde ele vai ou se quer ficar, mas queremos saber se ele quer permanecer.