Ricardo Oliveira não tinha nenhuma garantia, em janeiro, sobre qual seria sua situação aos 35 anos. Ele chegará a essa idade na próxima quarta-feira, com um contrato assinado até o final de 2017, a artilharia do Campeonato Paulista e mais um título para comemorar.
“Foi a colheita por tudo o que foi semeado. Fiquei meses sem jogar bola, mas corria todo dia. Subia e descia montanha, achando que valeria a pena”, afirmou o centroavante, que, por acreditar no próprio taco, topou fechar com o Santos só até o fim do Estadual.
“O Santos quis pagar um valor, e eu aceitei. Queria um ano, ofereceram cinco meses. Falei: ‘Eu quero’. Estamos acostumados a dar grandes contratos para depois os atletas mostrarem algo. Fiz algo, não porque me ache melhor do que ninguém, mas porque confiava no meu potencial”, recordou.
As recompensas chegaram e foram especialmente celebradas no último domingo, Ele marcou pela 11ª vez no Estadual na vitória por 2 a 1 sobre o Palmeiras. Terminado o triunfo nos pênaltis na decisão, repetiu o que havia feito no momento do gol, procurando a família em um dos camarotes da Vila Belmiro.
“Tenho de expressar minha emoção, sou emotivo. Eram o filho, a esposa, os amigos, os familiares ali. São os verdadeiros, aqueles que estão com a gente na dificuldade e na vitória. Fui lá dizer o quanto os amo, dividir com eles”, disse o pai de Anthony. “O Santos é o time de coração do meu filho. Não tem preço.”
Satisfeito com todas as conquistas, Ricardo Oliveira elogiou seus companheiros, valorizando “o suor e as lágrimas” derramados. O atacante não caiu na tentação de tratar o sucesso como resposta aos que duvidaram do time, em geral, e dele, em particular.
“De forma alguma. É uma resposta para mim, daquilo que semeei. Falei: ‘Eu posso, eu consigo’. O futebol é isso. Entendo todas as críticas e as recebi com o peito aberto. Ninguém sabia onde eu estava, se jogava bola ainda ou não. E é normal. O gosto do futebol é isso. A única certeza é que começa 0 a 0”, concluiu o artilheiro.