Se depender da força ofensiva, o clássico entre São Paulo e Palmeiras promete muitos gols. Durante a temporada 2009, as duas equipes têm apresentado uma ótima produção na frente, porém de forma diferente.
No São Paulo, os gols são bem distribuídos entre os atacantes. Por enquanto, Washington balançou as redes em 12 oportunidades, enquanto Borges marcou sete vezes.
Do lado palmeirense, os gols ficam concentrados em Keirrison, artilheiro do futebol brasileiro com 16 tentos. Seu companheiro ofensivo, Willians, atua nas beiradas do campo e fica longe da meta adversário. Portanto, fez apenas um gol.
“Os atacantes do São Paulo são jogadores de força. O Washington é muito forte na bola aérea, o Borges também aproveita as jogadas dentro da área. São artilheiros. Não podemos bobear, eles estão sempre bem posicionais”, analisa Keirrison, ciente do perigo dobrado que proporciona o rival.
O encontro entre Keirrison e Washington tem um motivo extra para chamar a atenção no sábado. No ano passado, os dois terminaram empatados como artilheiros do Campeonato do Brasileiro junto com o santista Kléber Pereira.
“Estamos disputando a artilharia desde o ano passado, agora estamos novamente no mesmo campeonato. Trata-se de um jogador de grande personalidade. Tenho certeza de que faremos um bom jogo”, destaca o palmeirense.
O Coração Valente, por sua vez, encara com naturalidade sua disputa particular com o K9 no clássico deste sábado. “Isso é natural, assim como falaram do Neymar e do Ronaldo antes do clássico entre Santos e Corinthians. Nós dois fomos artilheiros do Brasileiro passado e, agora, estamos lutando pela artilharia do Paulista. Isso faz parte e precisamos ficar tranquilos para fazer uma grande partida”, analisa.
Apesar de ter um equilíbrio de gols com Borges, Washington está na frente do colega na disputa pela artilharia do Paulistão. Com o status de são-paulino em melhores condições de desbancar Keirrison do topo da lista de goleadores, o camisa nove tricolor prega a importância da parte coletiva, mas sem esquecer de balançar as redes.
“Sempre é importante lutar pela artilharia, mas nosso objetivo principal é o título. Uma coisa leva à outra. Se o atacante faz gol, ajuda a equipe a ficar bem. O Keirrison está bem e seus gols estão ajudando o Palmeiras. Espero também ajudar o São Paulo a conseguir a classificação o mais rápido possível”, afirma.
Vantagem alviverde: Se na análise das duplas de ataque a vantagem é são-paulina, o Palmeiras é melhor na comparação do número de gols marcados por todos os setores das equipes. Neste ano, levando em conta o Paulistão e a Libertadores da América, o Alviverde balançou as redes adversárias em 45 oportunidades contra apenas 33 do rival.
Só o reserva Lenny, que deu um bico na má fase de 2008, marcou seis vezes no Estadual, retomando a confiança da exigente torcida palmeirense. “A proposta do Wanderley Luxemburgo era montar um time forte, utilizando jogadores capazes de atuar em todas as partidas. O time tem sido feliz”, elogia o meia Cleiton Xavier.
Já no São Paulo, a divisão dos gols entre Washington e Borges está reduzindo a participação dos demais atletas na frente. Dos 33 tentos, 19 foram marcados pela dupla de frente titular, que conquistou a confiança de Muricy Ramalho. Dagoberto, que foi importante na reta final do hexacampeonato nacional, encontra poucas chances de atuar e sequer conseguiu balançar as redes nesta temporada.
Antes mesmo de carimbar as redes do Noroeste, o Coração Valente já havia deixado evidente a sintonia que encontrou com Borges. “Acho difícil tanto eu como o Borges passarmos duas rodadas sem fazer gols”. A importância de ambos é tamanha que somente os dois atletas marcaram pelo São Paulo na Copa Libertadores deste ano.
No entanto, a dupla pode ser desfeita no clássico deste sábado. Com dores no joelho, Borges é dúvida para Muricy Ramalho, que só definirá a situação do jogador momentos antes da partida. Se o titular for vetado, Dagoberto deve ganhar a oportunidade de tentar brilhar no clássico para se candidatar novamente à vaga no ataque são-paulino.
As duplas de ataque
São Paulo (33 gols)
Washington: 12 gols (10 no Paulista e 2 na Libertadores)
Borges: 7 gols (4 no Paulista e 3 na Libertadores)
Palmeiras (45 gols)
Keirrison: 16 gols (12 no Paulista e 4 na Libertadores)
Willians: 1 gol (1 na Libertadores).