O dia 17 de novembro de 2002 está marcado não só para os torcedores da Portuguesa, mas também para os fãs do futebol paulista. Após a derrota de 4 x 2 para o Bahia em Mogi Mirim (a equipe havia sido punida com a perda do mando de campo), a equipe do Canindé acabou rebaixada à Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro.
Isso sem jamais ter ocupado uma posição na zona da queda ao longo de toda a competição, em que chegou a bater o futuro campeão Santos em plena Vila Belmiro e integrar a área de classificação ao mata-mata por cinco jornadas.
Disputar uma divisão inferior do Brasileirão não era novidade para a Lusa. A equipe atuara nas Taças de Prata de 1982 e 83. Entretanto, a classificação para a principal competição nacional de clube era feita através da colocação no Estadual, havia a possibilidade de acesso na mesma temporada e os reflexos de um fracasso dentro do campo não atingiram de forma tão negativa a Portuguesa e sua torcida.
Decretado rebaixamento, a Rubro-verde viveu nos últimos cinco anos momentos dignos de serem rotulados como os piores de sua história. Porém, o inferno acabou nesta terça-feira. Mesmo perdendo do Coritiba por 2 a 0, o time viu os tropeços de Marília e Criciúma, e teve de aguardar mais uma hora para festejar o acesso após a derrota do Fortaleza para o São Caetano. Assim, a equipe obtém o segundo acesso seguido no ano e garante momentos de alegria escassos nos últimos tempos.
“Esse grupo está honrando a camisa da Portuguesa como há muito tempo ninguém fazia”, brada o técnico Vágner Benazzi, um dos grandes responsáveis pelo acesso. Há 79 partidas no cargo, que ocupa desde o dia 29 de setembro de 2006, na vitória de 1 x 0 sobre o Náutico, já ostenta o posto de comandante com o maior tempo seguido no cargo desde Candinho, em 2001/2002.
Revelado pela Lusa, o ex-lateral-direito jamais atuou profissionalmente pela equipe e desde a contratação para treinador não esconde a sua admiração pelo clube. Com frases de efeito, cativou a torcida, ganhou a confiança do grupo e virou unanimidade dentro do Canindé, algo que apenas Candinho e Oto Glória conseguiram na história. “Técnico que não bebe cerveja não é um treinador de verdade”, brinca Benazzi, em mais um de suas frases folclóricas, registradas em DVD após a conquista da Série A-2 do Campeonato Paulista deste ano.
2007: Time de Série A-2, disposição de campeão
Pela primeira vez longe da elite estadual, a Portuguesa montou um time de baixo orçamento, mesclando as jovens revelações como Diogo e Joãozinho com atletas medianos de certo destaque, principalmente Marcos Paulo (ex-seleção brasileira e Cruzeiro) e Preto. Turbinada pela estrela do treinador e a descoberta de Tiago, um goleiro-artilheiro, a equipe acabou conquistando a Série A-2 e quebrando um jejum de 31 anos sem títulos oficiais, o primeiro no Canindé. O último havia sido a Taça Governador do Estado em 1976.
Era o impulso que faltava ao time, mas mesmo assim a fragilidade do elenco pesou nas rodadas iniciais. Contra adversários melhores tecnicamente, a Lusa conseguiu apenas uma vitórias nos cinco primeiros compromissos da Segundona (3 a 0 sobre o Santo André, no dia 15 de maio). A reviravolta começou quando Diogo se mostrou capaz de assumir a condição de principal jogador do elenco (a revelação foi passada de meia para atacante e é o artilheiro da Lusa na competição com 16 gols).
Foram seis partidas invictas (vitórias sobre Marília, São Caetano, Vitória e Ponte Preta, além de empatar com Paulista e Santa Cruz). As coisas pareciam estar encaminhadas, mas a súbita saída de Marcos Paulo para o futebol japonês trouxe à tona novamente dificuldades para a Rubro-verde. Apesar de manter uma regularidade, Benazzi e os pupilos tropeçavam todas as vezes que tinham uma chance concreta de entrar no G-4.
Se houve uma suspeita entre os torcedores de que o acesso novamente ficaria no sonho, o segundo turno provou que a caminhada era mesmo em direção à Série A. Em 17 partidas foram apenas três derrotas, contra oito vitórias e seis empates. Um aproveitamento de 58,8%, que dá um tom de competência ao acesso obtido nesta terça e marca 2007 como um ano inesquecível para os lusitanos.
Tempos de tristeza
Curiosamente, durante os cinco anos de calvário luso, o futebol paulista apresentou a pior queda de produção de sua história, chegando ao cúmulo de ter apenas os quatro clubes grandes na Primeira Divisão deste ano. O acesso luso é o primeiro de uma equipe de São Paulo no Brasileirão desde o Palmeiras, em 2003.
O rival alviverde foi a companhia da Lusa na Segundona de 2003, uma temporada de reestruturação em que tudo deu errado para a equipe. Na pior crise administrativa de sua história, a Portuguesa se livrou da degola no Campeonato Paulista apenas na última rodada do então ‘Torneio da Morte’ criado pela FPF. Mesmo assim, o cenário do ano anterior se repetiu. Sem dinheiro e craques, a aposta foi em jogadores das categorias de base ou com talento duvidoso.
A fórmula deu um relativo sucesso, turbinada com a presença do eterno ídolo Capitão, e a equipe chegou a integrar a zona de classificação para a segunda fase da competição, mas desandou com as saídas do atacante Alex Alves e o técnico Luís Carlos Martins, fracassando na reta final com apenas duas vitórias em oito partidas.
À beira da falência no início de 2004, a diretoria da época resolveu apostar em uma versão mais modesta da corintiana ‘MSI’ e entregou o futebol profissional para a Ability Sports, um grupo de empresários que sentiu as dificuldades do trabalho no Canindé logo em seus primeiros dias. Quatro treinadores passaram pelo time no ano e os resultados foram poucos convincentes à torcida: eliminação precoce no Paulistão – onde se classificavam quatro nas dez equipes de cada grupo da competição -, e figuração na Segundona.
Passou perto
Joaquim Alves Heleno deixou a presidência, Manuel da Lupa, um empresário de sucesso no ramo imobiliário da capital paulista, assumiu em janeiro de 2005 e teve de encarar logo no início do trabalho a separação com a Ability e a necessidade de se formar um elenco do zero. Nomes como Wilton Goiano e Alexandre deram certo, permanecem no grupo até hoje, mas a empolgação veio apenas com a chegada do técnico Giba.
Ex-lateral do Corinthians, o treinador livrou a Rubro-verde das últimas colocações da tabela e formou uma base que deu certo na Série B. A Portuguesa permaneceu na zona de classificação durante as 21 rodadas da primeira fase, passou com facilidades pelo quadrangular semifinal, mas sofreu na fase final. Nunca o acesso esteve tão próximo. Disputando com Grêmio, Santa Cruz e Náutico, contudo, o tiro luso saiu pela culatra, a equipe venceu apenas um confronto em casa (diante do Coral) e ainda enfrentou problemas internos entre comissão técnica e jogadores. Um cenário que acabou selando a permanência por mais um ano na Segunda Divisão.
A diretoria achava que mesmo assim a semente estava plantada para 2006, mas os problemas de relacionamento se tornaram insustentáveis na temporada seguinte e o clube pagou da pior forma possível. Pela primeira vez desde a sua fundação, a Lusa era rebaixada no Estadual. Sem alternativas, novamente o jeito foi começar do zero. Edinho foi o treinador escolhido para comandar o processo na primeira Segundona por pontos corridos, mas os efeitos da degola pesaram e o técnico saiu pelas portas dos fundos, após uma goleada de 4 a 0 sobre o América-RN no Canindé, em 5 de maio.
Foi o primeiro passo para o que se imaginava ser o fim da Portuguesa. Em uma campanha desastrosa, Da Lupa chegou a declarar para alguns veículos de imprensa que não tinha como pagar a dívida do clube e que fecharia o departamento de futebol em caso de rebaixamento à Terceira Divisão. Em meio à crise, mais três treinadores passaram pelo Canindé e a salvação veio pelos pés de Alex Alves, que marcou de pênalti o último gol da vitória por 3 x 2 sobre o Sport, no Recife, resultado que livrou a Lusa da degola. O tento iluminado coroou o investimento feito pela própria torcida, que agilizou uma vaquinha para a contratação do antigo ídolo.
Isso sem jamais ter ocupado uma posição na zona da queda ao longo de toda a competição, em que chegou a bater o futuro campeão Santos em plena Vila Belmiro e integrar a área de classificação ao mata-mata por cinco jornadas.
Disputar uma divisão inferior do Brasileirão não era novidade para a Lusa. A equipe atuara nas Taças de Prata de 1982 e 83. Entretanto, a classificação para a principal competição nacional de clube era feita através da colocação no Estadual, havia a possibilidade de acesso na mesma temporada e os reflexos de um fracasso dentro do campo não atingiram de forma tão negativa a Portuguesa e sua torcida.
Decretado rebaixamento, a Rubro-verde viveu nos últimos cinco anos momentos dignos de serem rotulados como os piores de sua história. Porém, o inferno acabou nesta terça-feira. Mesmo perdendo do Coritiba por 2 a 0, o time viu os tropeços de Marília e Criciúma, e teve de aguardar mais uma hora para festejar o acesso após a derrota do Fortaleza para o São Caetano. Assim, a equipe obtém o segundo acesso seguido no ano e garante momentos de alegria escassos nos últimos tempos.
“Esse grupo está honrando a camisa da Portuguesa como há muito tempo ninguém fazia”, brada o técnico Vágner Benazzi, um dos grandes responsáveis pelo acesso. Há 79 partidas no cargo, que ocupa desde o dia 29 de setembro de 2006, na vitória de 1 x 0 sobre o Náutico, já ostenta o posto de comandante com o maior tempo seguido no cargo desde Candinho, em 2001/2002.
Revelado pela Lusa, o ex-lateral-direito jamais atuou profissionalmente pela equipe e desde a contratação para treinador não esconde a sua admiração pelo clube. Com frases de efeito, cativou a torcida, ganhou a confiança do grupo e virou unanimidade dentro do Canindé, algo que apenas Candinho e Oto Glória conseguiram na história. “Técnico que não bebe cerveja não é um treinador de verdade”, brinca Benazzi, em mais um de suas frases folclóricas, registradas em DVD após a conquista da Série A-2 do Campeonato Paulista deste ano.
2007: Time de Série A-2, disposição de campeão
Pela primeira vez longe da elite estadual, a Portuguesa montou um time de baixo orçamento, mesclando as jovens revelações como Diogo e Joãozinho com atletas medianos de certo destaque, principalmente Marcos Paulo (ex-seleção brasileira e Cruzeiro) e Preto. Turbinada pela estrela do treinador e a descoberta de Tiago, um goleiro-artilheiro, a equipe acabou conquistando a Série A-2 e quebrando um jejum de 31 anos sem títulos oficiais, o primeiro no Canindé. O último havia sido a Taça Governador do Estado em 1976.
Era o impulso que faltava ao time, mas mesmo assim a fragilidade do elenco pesou nas rodadas iniciais. Contra adversários melhores tecnicamente, a Lusa conseguiu apenas uma vitórias nos cinco primeiros compromissos da Segundona (3 a 0 sobre o Santo André, no dia 15 de maio). A reviravolta começou quando Diogo se mostrou capaz de assumir a condição de principal jogador do elenco (a revelação foi passada de meia para atacante e é o artilheiro da Lusa na competição com 16 gols).
Foram seis partidas invictas (vitórias sobre Marília, São Caetano, Vitória e Ponte Preta, além de empatar com Paulista e Santa Cruz). As coisas pareciam estar encaminhadas, mas a súbita saída de Marcos Paulo para o futebol japonês trouxe à tona novamente dificuldades para a Rubro-verde. Apesar de manter uma regularidade, Benazzi e os pupilos tropeçavam todas as vezes que tinham uma chance concreta de entrar no G-4.
Se houve uma suspeita entre os torcedores de que o acesso novamente ficaria no sonho, o segundo turno provou que a caminhada era mesmo em direção à Série A. Em 17 partidas foram apenas três derrotas, contra oito vitórias e seis empates. Um aproveitamento de 58,8%, que dá um tom de competência ao acesso obtido nesta terça e marca 2007 como um ano inesquecível para os lusitanos.
Tempos de tristeza
Curiosamente, durante os cinco anos de calvário luso, o futebol paulista apresentou a pior queda de produção de sua história, chegando ao cúmulo de ter apenas os quatro clubes grandes na Primeira Divisão deste ano. O acesso luso é o primeiro de uma equipe de São Paulo no Brasileirão desde o Palmeiras, em 2003.
O rival alviverde foi a companhia da Lusa na Segundona de 2003, uma temporada de reestruturação em que tudo deu errado para a equipe. Na pior crise administrativa de sua história, a Portuguesa se livrou da degola no Campeonato Paulista apenas na última rodada do então ‘Torneio da Morte’ criado pela FPF. Mesmo assim, o cenário do ano anterior se repetiu. Sem dinheiro e craques, a aposta foi em jogadores das categorias de base ou com talento duvidoso.
A fórmula deu um relativo sucesso, turbinada com a presença do eterno ídolo Capitão, e a equipe chegou a integrar a zona de classificação para a segunda fase da competição, mas desandou com as saídas do atacante Alex Alves e o técnico Luís Carlos Martins, fracassando na reta final com apenas duas vitórias em oito partidas.
À beira da falência no início de 2004, a diretoria da época resolveu apostar em uma versão mais modesta da corintiana ‘MSI’ e entregou o futebol profissional para a Ability Sports, um grupo de empresários que sentiu as dificuldades do trabalho no Canindé logo em seus primeiros dias. Quatro treinadores passaram pelo time no ano e os resultados foram poucos convincentes à torcida: eliminação precoce no Paulistão – onde se classificavam quatro nas dez equipes de cada grupo da competição -, e figuração na Segundona.
Passou perto
Joaquim Alves Heleno deixou a presidência, Manuel da Lupa, um empresário de sucesso no ramo imobiliário da capital paulista, assumiu em janeiro de 2005 e teve de encarar logo no início do trabalho a separação com a Ability e a necessidade de se formar um elenco do zero. Nomes como Wilton Goiano e Alexandre deram certo, permanecem no grupo até hoje, mas a empolgação veio apenas com a chegada do técnico Giba.
Ex-lateral do Corinthians, o treinador livrou a Rubro-verde das últimas colocações da tabela e formou uma base que deu certo na Série B. A Portuguesa permaneceu na zona de classificação durante as 21 rodadas da primeira fase, passou com facilidades pelo quadrangular semifinal, mas sofreu na fase final. Nunca o acesso esteve tão próximo. Disputando com Grêmio, Santa Cruz e Náutico, contudo, o tiro luso saiu pela culatra, a equipe venceu apenas um confronto em casa (diante do Coral) e ainda enfrentou problemas internos entre comissão técnica e jogadores. Um cenário que acabou selando a permanência por mais um ano na Segunda Divisão.
A diretoria achava que mesmo assim a semente estava plantada para 2006, mas os problemas de relacionamento se tornaram insustentáveis na temporada seguinte e o clube pagou da pior forma possível. Pela primeira vez desde a sua fundação, a Lusa era rebaixada no Estadual. Sem alternativas, novamente o jeito foi começar do zero. Edinho foi o treinador escolhido para comandar o processo na primeira Segundona por pontos corridos, mas os efeitos da degola pesaram e o técnico saiu pelas portas dos fundos, após uma goleada de 4 a 0 sobre o América-RN no Canindé, em 5 de maio.
Foi o primeiro passo para o que se imaginava ser o fim da Portuguesa. Em uma campanha desastrosa, Da Lupa chegou a declarar para alguns veículos de imprensa que não tinha como pagar a dívida do clube e que fecharia o departamento de futebol em caso de rebaixamento à Terceira Divisão. Em meio à crise, mais três treinadores passaram pelo Canindé e a salvação veio pelos pés de Alex Alves, que marcou de pênalti o último gol da vitória por 3 x 2 sobre o Sport, no Recife, resultado que livrou a Lusa da degola. O tento iluminado coroou o investimento feito pela própria torcida, que agilizou uma vaquinha para a contratação do antigo ídolo.