Elisson Ferreira e Felipe Trigueiro
A tarde do dia 7 de março de 2009 ficará na história do clássico candango entre Brasiliense e Gama. Apresentando futebol de time campeão, o Jacaré passeou em campo e derrotou o rival por incríveis 4 x 0, no Serejão. O resultado, que equilibrou ainda mais o histórico do confronto direto – agora são 12 vitórias para cada time e 11 empates –, teve uma particularidade. A diferença de gols no duelo de ontem é o maior placar da história do confronto, disputado desde fevereiro de 2001. Antes, o posto era do Alviverde, que, em 2003, havia goleado o time de Taguatinga por 4 x 1, no Campeonato Candango.
O Brasiliense celebrou o novo marco, a vitória e a classificação antecipada para a próxima fase da competição, com três rodadas de antecedência. Já o Gama precisa até agradecer, pois o dia poderia ter sido ainda mais desastroso. Beneficiado pelo empate por 3 x 3, entre Luziânia e Brazlândia, no Serra do Lago, o time se manteve na quarta colocação da tabela e no grupo de classificação para a próxima fase da competição.
O desenho da partida ficou claro nos primeiros minutos de jogo. O esquema defensivo (3-6-1) adotado pelo estreante Luiz Carlos Barbieri, mostrava um Gama frágil e que teria como principal arma os contra-ataques. No entanto, a equipe Alviverde não teve tempo nem de explorar os erros do adversário e bastaram oito minutos para todo o planejamento do novo treinador ir por água abaixo. Edinho cobrou falta para a área, Fábio Júnior chutou, André Zandoná espalmou, mas Aílson estava sozinho para apenas escorar.
O Gama respondeu em seguida. Lucas Silva avançou pela direita e cruzou para Eduardo. Sozinho, o meia chutou fraco e facilitou a defesa de Guto. Após o lance, só deu Brasiliense, que teve chances de ampliar aos 12, com Fábio Júnior, e aos 24, com Iranildo, que aproveitou saída errada do goleiro André Zandoná e tentou encobrir o arqueiro.
Aos 35 minutos do primeiro tempo, não teve jeito. Sobrando em campo, o time de Taguatinga chegou ao segundo gol. Edinho cruzou e Adrianinho, com tranquilidade, chutou rasteiro no canto direito de André Zandoná.
No intervalo, o técnico Barbieri resolveu colocar mais um atacante em campo e modificou o esquema tático da equipe. O jogo ficou equilibrado. No entanto, o Brasiliense mostrou que não queria correr riscos e Iranildo, que era um dos principais jogadores em campo, arriscou da intermediária e marcou o terceiro gol do Jacaré. Com oito gols, o jogador é o maior artilheiro da história do clássico.
Para fechar o caixão Alviverde, Adrianinho lançou Ricardinho. Quase no meio-de-campo, a zaga gamense ficou estática pedindo impedimento. No entanto, o zagueiro Leandro Dias, caído em campo com cãibras, dava condições de jogo para o atacante, que teve tranquilidade e escolheu o canto para decretar a goleada no Serejão: 4 x 0.
Gama
O esquema defensivo adotado pelo Gama não surtiu efeito. Logo no início da partida, dois casais de quero-queros representaram bem como foi a partida. Eles pousaram no lado direito da zaga do Brasiliense. E por ali permaneceram tranqüilos, sem nenhum risco, até o final da primeira etapa. “Apresentamos muitos erros. A equipe só atacou por um lado do campo”, afirmou o técnico Barbieri. O Gama voltou melhor no segundo tempo, mas o Brasiliense marcou o terceiro e tirou qualquer esperança de reação.
Depois do gol sofrido, o que se viu foi um time bastante desorganizado em campo. No final da partida, uma falha da zaga mostrou a falta de comunicação dos jogadores. A defesa do Gama estava na altura do meio-campo, em linha, e não percebeu que o zagueiro Leandro Dias estava caído na entrada da área, com câimbras e de costas para o campo. A bola rolou lentamente ao lado do jogador e sobrou para o atacante Ricardinho que, cara a cara com o goleiro André Zandona, marcou o quarto gol do Jacaré. “Gritei. Tentei avisar que ele estava caído. Mas ninguém ouve”, reclamou o goleiro.
Abatimento
Barbieri saiu abatido com o resultado. “A equipe errou muito. Precisamos trabalhar o preparo físico dos jogadores. Mas prefiro conversar e discutir os problemas internamente. Com a cabeça quente não adianta nada”, finalizou o treinador alviverde.
O atacante Bebeto lamentou o rendimento da equipe. “Fiquei isolado na frente. O Brasiliense jogou muito melhor. Agora é manter a calma para a próxima partida contra o Brazlândia”, explicou. Mesmo com o resultado negativo, o Gama manteve-se na quarta posição, depois do empate entre Luziânia e Brazlândia.