Pouco mais de oito meses do fim da Copa do Mundo no Brasil, o cenário está mudado. Como anda a situação das seleções que terminaram entre dez primeiras posições do torneio? A Alemanha, que deixou uma ótima impressão na reta final, continua dominante? E o Brasil? As pífias apresentações das duas últimas vezes em que entrou em campo permanecem ditando regra no time de Dunga?
Os últimos amistosos entre seleções permitiram fazer uma análise mais detalhada dos casos. A resposta para as questões acima é um enorme não. A própria seleção brasileira é a prova da reviravolta vivida pelo time que parecia não ter forças para se recuperar dos vexames da semifinal e da disputa de terceiro lugar da Copa do Mundo. Desde o fim do Mundial, o selecionado entrou em campo oito vezes, vencendo em todas elas. E se engana quem pensa que o Brasil enfrentou apenas galinhas mortas. O caminho dos pentacampeões mundiais foi cruzado por rivais do quilate de Argentina e França, ambos superados com dois gols de diferença, em grandes apresentações do time treinado por Dunga.
Em termos de pontuação, a seleção brasileira é a única que continua com 100% de aproveitamento pós-Copa.
Alemanha e o inverso
Joachim Löw deve estar com saudade do Brasil. Afinal, foi em terras tupiniquins que ele conseguiu fazer sua equipe apresentar algumas das melhores partidas do histórico recente da Alemanha.
Passada a euforia, e as constantes festas, sobretudo de Podolski e Schweinsteiger, a Alemanha não vive o melhor de seus momentos.
Para se ter uma edição da “draga” dos tetracampeões mundiais, a Argentina foi até Düsseldorf e goleou os anfitriões por 4 x 2, em noite iluminada de Di Maria. Esse foi apenas o primeiro dos quatro tropeços alemães depois do tetra.
Aproveitamento ruim
Numericamente falando, a Alemanha conquistou apenas 11 dos 21 pontos disputados Pós-Copa.
Outra sensação que tem decepcionado os fãs é a Holanda. Depois de terminar a Copa invicta (só perdeu nos pênaltis para a Argentina), a seleção laranja venceu apenas duas das sete partidas que teve até agora.
Costa Rica continua com potência
A Costa Rica conquistou, sem dúvidas, o posto de maior sensação da Copa do Mundo do ano passado. Integrando o perigoso Grupo D, que recebeu a alcunha de Grupo da Morte, por contar com Itália, Inglaterra e Uruguai, além dos costarriquenhos, a equipe da América Central surpreendeu.
Bateu, com autoridade, Uruguai e Itália, antes de empatar sem gols com os ingleses, o que deu à equipe a ponta do grupo após a primeira fase.
Os centro-americanos ainda fizeram mais duas grandes apresentações antes de se despedirem do Mundial: eliminou a Grécia em uma partida emocionante, decidida apenas na decisão por pênaltis e fez jogo duro com a Holanda, que venceu pelo placar mínimo.
As boas performances apresentadas no Brasil parecem ter dado um fôlego novo para o futebol de Costa Rica. Desde que a Copa acabou, os Ticos, como é conhecida a seleção, continuaram a maré de resultados positivos. Trocando resultados por números, foram 17 pontos conquistados, de um total possível de 21. O ataque também funciona com eficiência, já que a média de gols por jogo é de 2,42.
A verdade é que a Costa Rica ainda não passou pelo dissabor de perder uma partida. Foram sete compromissos desde o fim do Mundial. Entre eles, alguns contra equipes de menor expressão internacional, como Omã e Nicarágua, ambos com vitória de Costa Rica. Mas houve duelos contra Uruguai e Paraguai, com triunfo e empate, respectivamente.
Saiba mais
Para algumas seleções, o calendário pós-Copa se resumiu à realização de amistosos internacionais.
Para as seleções europeias, no entanto, o buraco é bem mais profundo.
Elas já passam pelo longo processo eliminatório para a EuroCopa de 2016, principal competição do calendário, que será disputada na França.
Amistosos pelo mundo sem surpresa
Sensação da última Copa do Mundo, a Colômbia não manteve o nível de atuação de 2014. Em amistoso contra o modesto Kuwait, os Cafeteros sentiram o desfalque de James Rodríguez e tiveram que suar um bocado para vencer por 3 x 1. Aguilar, Cardona e Falcao García marcaram os gols do triunfo em Abu Dhabi, enquanto Musaed Al Enazi descontou.
A seleção de Camarões derrotou a Tailândia por 3 x 2 no SCG Stadium, em Nonthaburi. No mesmo horário, a Bielorussia empatou com o Gabão e, mais cedo, a Indonésia venceu a seleção de Myanmar.
O empate por 2 x 2 com a Alemanha elevou o moral da Austrália, mas parou por aí. Ontem, o time empatou com a Macedônia: 0 x 0.
Amarelinha tem sobrado
A contratação de Dunga para substituir Luiz Felipe Scolari após a malfadada campanha no Mundial trouxe uma série de desconfianças em torno do futuro próximo da seleção brasileira.
O gaúcho, ex-capitão do próprio selecionado nacional, tratou de espantar os pontos de interrogação com resultados convincentes. No melhor estilo “futebol de resultado”, a seleção de Dunga ainda não perdeu, mas comprova que consegue se apresentar bem diante de adversários de tradição.
Em uma rápida olhada nos resultados pós-Mundial, é possível ver o quão eficiente, e consistente, a zaga brasileira tem sido. Em oito jogos, foram apenas dois gols sofridos, contra Áustria e França.
O ataque vai muito bem. A média de gols alcança a casa de 2,25 por jogo. Além de bons números ofensivamente, o Brasil ainda pode contar com boas atuações de Neymar. Afinal, foi dos pés do craque do Barcelona que saíram nada menos que 44,44% dos tentos brasileiros.
Fim do trauma
Foi também com Dunga que a seleção brasileira pôs fim a um incômodo: o de enfrentar a França. Com incontestáveis 3 x 1, o Brasil bateu os Bleus em pleno Stade de France, palco da traumática derrota na final da Copa em 1998. Foi a primeira vitória do Brasil na casa dos adversários em quase 17 anos.
Olho nele
O atacante Neymar ratifica, a cada partida pela seleção brasileira, a condição de referência entre os comandados de Dunga. Desde o fim da Copa do Mundo, onde saiu com uma fratura na vértebra nas quartas de final da competição após entrada criminosa de Camilo Zuñiga, o jogador do Barcelona anotou nada menos que oito gols com a camisa canarinho. O destaque foi a partida contra o Japão, quando ele marcou os quatro gols brasileiros.