A classificação para a final da Taça Rio, segundo turno do Campeonato Carioca, foi muito comemorada pelo Botafogo, que eliminou o Vasco nas semifinais com uma vitória nos pênaltis por 4 x 1 após empate por 4 x 4 no tempo normal. Porém, o clima de festa foi deixado de lado já nesta quinta-feira, principalmente porque a preocupação é muito grande com os bastidores.
O Alvinegro, que protestou muito contra a atuação do árbitro Fábio Calábria no clássico de quarta-feira, teme continuar sendo prejudicado por ter declarado guerra à Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) e ao presidente do Vasco, Eurico Miranda, aliado da entidade.
“É muito ruim ter que falar desse tipo de assunto num momento como esse, quando deveríamos estar comemorando a vitória sobre o Vasco e falando dos próximos jogos. Mas é preciso que as pessoas olhem o que está acontecendo, pois a Justiça não vem agindo na Federação do Rio de Janeiro. O Botafogo pede a ajuda de todos neste sentido, pois esse quadro deve ser modificado”, disse o presidente do Botafogo, Bebeto de Freitas.
Mais irritado, o ex-presidente Carlos Augusto Montenegro, que auxilia a atual gestão, lembrou que o árbitro deu entrevistas dizendo que gostaria de levar para casa a bola do milésimo gol de Romário. O dirigente chegou a ironizar dizendo que Calábria deveria levar também “o calção do jogador”. Porém Montenegro se mostrou mais chateado com Eurico Miranda, que na véspera afirmou que o trabalho realizado pelo botafoguense é fajuto. Montenegro é presidente do instituto de pesquisa Ibope.
“Ele falou que meu trabalho é fajuto e não posso responder à altura, pois há vinte anos que o Eurico Miranda não faz nada, salvo ser presidente do Vasco. Só que atualmente ele nem pode ser considerado assim, pois seu mandato é ilegal. O que posso fazer é pedir para o Eurico deixar o cargo. Encontrei muitos vascaínos na rua que me disseram que estavam torcendo para o Botafogo. É preciso que ele seja banido do futebol carioca. Não podemos mais aceitar essa situação. É inadmissível que um clube da grandeza do Vasco tenha um presidente tão pequeno quanto Eurico Miranda”, disse Montenegro.
Até os jogadores botafoguenses estavam revoltados com a arbitragem. Expulso no início do segundo tempo, num lance onde nem houve falta, o volante Túlio negou que tenha ofendido o árbitro após a marcação. Fábio Calábria alegou ter mostrado cartão vermelho ao atleta por ter sido ofendido.
“Não ofendi o árbitro e ele sabe disso. O Morais colocou a bola na frente e dei um carrinho. Toquei na bola e o juiz entendeu que fiz falta dura. Achei que não e falei com ele, que disse que eu tinha o ofendido. Falei: você está louco, não foi falta para cartão. Ele mudou a cor do cartão e me expulsou. Se ele acha o que eu falei ofensa, tudo bem. Mas perto do que os jogadores estavam falando durante o jogo, tanto os do Vasco quanto também os do Botafogo, isto foi até elogio. O Calábria teve uma atuação ruim. O árbitro deve trabalhar para deixar o jogo correr e não para brecá-lo o tempo todo. Mas deixa isso pra lá. Agora temos que ficar concentrados em nossos adversários e não nas arbitragens”, disse o volante.