Após um mês de tensão, com acusações de corrupção borbulhando nos corredores da Fifa, Joseph Blatter conseguiu, enfim, discursar aliviado como presidente reeleito da entidade. Para o suíço, a extensão do seu mandato até 2015 marca o início de uma nova era na associação mais importante do futebol mundial.
“Posso dizer que agora temos incidentes para marcar um recomeço na Fifa. Estamos em um cenário que exige não somente palavras, mas também ação. Fui acertado, fui atacado, mas a partir de agora não serei mais atingido, não aceitarei mais isso”, bradou a jornalistas presentes em sua coletiva de imprensa.
Para ele, daqui para frente, uma transparência maior reinará no futebol ao redor do globo e nas ações da Fifa. “Temos a transparência na financeira. Pediam para que fizéssemos algo, para que fossemos mais transparentes, e é isso que irei fazer. Já consertamos o problema de acerto de jogos e apostas com um acordo junto à Interpol e criaremos um comitê, que eu chamarei de Comitê de Soluções”, comentou, explicando o funcionamento do novo órgão.
“Ainda não posso dizer que foi criado, mas será liderado por personagens da Fifa, com a possibilidade de chamar personalidades de fora para contribuir. Já entramos em contato com algumas delas e esse comitê vai ter ligação direta com o já existente Comitê Executivo”, explicou, citando o ex-secretário do Estado americano, Henry Kissinger, e o ex-meia da seleção holandesa, Johan Cruyff, como possíveis membros.
Quanto a uma represália direcionada à Federação Inglesa de Futebol, que formulou um dossiê com denúncias direcionadas a ele, Blatter negou qualquer possibilidade de isso existir, apesar da surpresa com a posição tomada.
“Foi surpreendente, pois a número 1 das Associações de Futebol, que deveria ser um exemplo, tomou essa posição. Fiquei surpreso, mas agora que fui eleito eu sou o presidente de todas as associações, e eu não vou ficar com mágoa com quem foi contra mim. Todos que votaram contra estão juntos conosco”, falou, antes do aviso final.
“Estamos entrando em um novo período para a Fifa. Tolerância zero quanto à corrupção. Isso não é nem um aviso, é basicamente um cartão amarelo a todos, para que fiquem mais atentos e não cometam os mesmos erros”, encerrou.