Campeão brasileiro, bicampeão da Libertadores e campeão mundial. É nesse currículo que o Grêmio apoiou-se para contratar Paulo Autuori. O nome do treinador é uma convicção da diretoria para levar o clube ao tri da América. Tanto é que sua apresentação, nesta segunda-feira, ocorreu 43 dias após a demissão de Celso Roth.
A calma e a simplicidade do novo comandante gremista contrastaram com o ambiente em que ocorreu a entrevista coletiva. Cerca de 50 jornalistas se apertaram na sala de imprensa do Estádio Olímpico para as primeiras palavras de Autuori como técnico do Tricolor. A escolha pelo Grêmio é um desafio para Autuori, não somente profissional, mas uma oportunidade de se superar pessoalmente.
“Me fiz três perguntas: aonde? Quando? Com quem? A partir daí decidi assumir o compromisso. São as pessoas certas e o momento certo. Minha responsabilidade é com a vida. Não quero ser melhor do que ninguém. Tenho pretensão de lutar contra mim mesmo. É um desafio. Saí de uma zona de conforto total. Quero provar para mim mesmo que estou pronto para viver sendo questionado, ser chamado de burro. Minha vontade é de ser mais do que eu sou. Isso é o mais importante”, comentou em tom filosófico.
A chegada de Autuori ao Grêmio foi demorada, poucas vezes ocorrida no imediatismo em que vive o futebol. O treinador precisou encerrar as participações Al-Rayyan, do Catar, nas competições que disputava, para só depois rumar de volta ao Brasil. O sigilo tanto por parte da direção, quanto pelo técnico, foi essencial para que houvesse a liberação dos árabes ao término do contrato.
Para os supersticiosos, as chances do Grêmio ser campeão da Libertadores aumentam. Quando Autuori venceu a competição, em 1997 e 2005, ele assumiu Cruzeiro e São Paulo no meio da competição. “São circunstâncias e momentos diferentes. Não me prendo a isso. O foco é o trabalho”, opinou.
O objetivo do novo técnico será única e exclusivamente o trabalho. Ele elogiou a direção que teve convicção em seu nome. Exaltou a coragem de correr risco, deixando a atitude dos dirigentes como um exemplo para o grupo de jogadores seguir. “Só é vencedor quem tem capacidade de arriscar”, sentenciou.
Essa será a segunda passagem de Autuori no futebol gaúcho. Em 1999, ele assumiu o Inter. Seu período no Beira-Rio ficou marcado por uma goleada sofrida para o Juventude por 4 a 0, em casa, pela Copa do Brasil. Com um estilo mais sereno, ele difere do modo característico dos profissionais e times do Grêmio.
“O time tem que ter a cara do Grêmio. Na minha concepção de futebol existem duas partes que são protagonistas: os jogadores e o público. Qualquer outro que queira ganhar protagonismo estragará o espetáculo”, explicou, acrescentando que quer resultado aliado com qualidade dentro de campo.
Sobre uma possível mudança de esquema, Autuori foi evasivo. Deixou claro sua predileção pelo 4-4-2. Entretanto, ele irá analisar as necessidades da equipe para ver se uma modificação será realizada.
A partir de agora, começa a parte mais difícil, com o começo dos treinos. A primeira tarefa será traçar um perfil da equipe e dos jogadores que possam interessar como reforços. Depois, Ele precisará tomar pé das categorias de base, onde terá gerência. A estreia ocorrerá diante do Botafogo, no fim de semana.
Serão dias de trabalho duro no Olímpico. Autuori deixou claro que quer a superação de todos. Em sua primeira entrevista ficou claro isso. Ela superou os 40 minutos de bombardeio de perguntas sem demonstrar nenhum tipo de pressa.