Após se livrar da Série B com o acesso e o título conquistados com antecipação, ninguém no Corinthians esconde a intenção de montar um elenco capaz de classificar o time para a Libertadores de 2010, ano do centenário do clube. A dívida estimada em mais de R$ 90 milhões, no entanto, exige que o Timão busque investidores para trazer reforços. E, desta vez, o mais polêmico dos ‘parceiros’ do clube nesta temporada recusa-se a ajudar.
Alvo de muitos questionamentos por sua participação financeira na aquisição de pelo menos três atletas para a disputa da Segundona, Carlos Leite, que cuida da carreira de Mano Menezes e quatro jogadores do plantel atual, não quer mais saber de confusão e já avisa: não esperem nenhum empréstimo na próxima temporada.
“A chance de eu voltar a emprestar dinheiro para o Corinthians é zero. Não quero polêmica. Não preciso entrar nisso de novo agora”, informou o agente à GE.Net, mostrando ainda lembrar do turbulento mês de setembro, quando ele, o treinador e a diretoria alvinegra tiveram de dar uma série de explicações sobre a escolha do grupo que tinha a missão de tirar o Corinthians da segunda divisão.
O principal ponto que causou discórdia até entre antigos ídolos do clube foi o empréstimo de R$ 600 mil, sem juros, do empresário para que o Timão acertasse com o meia Eduardo Ramos e o lateral-esquerdo Wellington Saci – ambos agenciados pelo próprio Carlos Leite. Além disso, o procurador também adquiriu 30% dos direitos federativos de Elias, em parceria com a Traffic, sócia palmeirense, e o repassou ao Parque São Jorge.
Na época, a notícia repercutiu mal devido a declarações de Finazzi à TV Gazeta insinuando que Mano privilegiava os atletas de seu procurador. A situação causou ira na diretoria e o vice-presidente de futebol Mário Gobbi chegou a agradecer Carlos Leite pelo “tesão” com o projeto de acesso da equipe à elite do futebol brasileiro. Os elogios, porém, não diminuíram a insatisfação do empresário com a polêmica.
Com um investidor a menos, o Corinthians corre atrás de dinheiro para conseguir reforços mais renomados do que os anunciados para a disputa da Série B. Durante a festa de comemoração do título, o presidente Andrés Sanchez citou uma série de nomes cobiçados, como os caros Kléber e Jorge Wagner, mas logo depois justificou suas declarações dizendo que “todo grande jogador” interessa. O que dificulta, no entanto, é a frágil condição financeira do clube.
E, antes de sonhar com novidades (como Kléber Pereira, Martinez e o botafoguense Túlio, contratações tidas como possíveis no Parque São Jorge), o Timão tenta manter seus principais jogadores, a começar por Herrera – o Gimnasia y Esgrima de La Plata, dono de 50% dos direitos econômicos do argentino, alega que já aceitou os US$ 2,4 milhões oferecidos pelos brasileiros, mas ainda espera a confirmação da proposta para concluir o negócio, que também envolve o San Lorenzo e o empresário Raul Delgado, que dividem a outra metade dos direitos do atacante.
Faltam também definições em relação a jogadores pouco aproveitados por Mano Menezes em 2008. Dois especulados para sair são o lateral-direito Denis e o meia Eduardo Ramos, ambos agenciados por Carlos Leite, que espera ser procurado pelo Timão para saber se pode conversar com outros clubes.
“Eles têm contrato com o Corinthians e seguem jogadores do Corinthians até que me passem um posicionamento. Até lá, não posso ouvir ninguém”, disse o empresário, que, pelo menos, sabe que Cristian e Wellington Saci, outros de seus clientes, devem ficar.