Se a união, o comprometimento e a simplicidade de jogadores garimpados na Série B são a alma do São Caetano em 2007, o atacante Luiz Henrique é o exemplo de perseverança e superação, que o técnico Dorival Júnior espera ver reproduzido, neste domingo, contra o São Paulo, nas semifinais do Paulistão.
O jogador, que já havia desistido da profissão após times como Madureira, Itaperuna e Olaria terem fechado as portas na sua cara, se reencontrou no Anacleto Campanella. Antes disso, na adolescência, ele havia abandonado as categorias de base do Vasco para trabalhar em um estaleiro construindo peças navais e assim ajudando na renda familiar.
Em 2004, já adulto, sem carteira assinada e vivendo dificuldades, Luiz Henrique decidiu se condicionar fisicamente e esperar por uma nova oportunidade no futebol. Ela chegou e o levou para o Atlético de Roraima, clube no qual voltou a jogar futebol em 2005, então com 23 anos de idade.
De lá para o futebol amazonense foi um pulo, culminando com a disputa da Série B de 2006. Vestindo a camisa do São Raimundo, ele foi considerado uma revelação e marcou 14 gols no time que acabou rebaixado para a Série C. Foi então que apareceu Dorival Júnior e o São Caetano em sua vida.
“Ninguém dava nada por mim. Diziam que eu era bom jogador, mas que havia vários outros iguais a mim. Agora, com o São Caetano, estou nas semifinais. Em dois anos minha vida mudou completamente”, afirmou Luiz Henrique, nesta sexta-feira.
Companheiro de Somália no ataque do Azulão, ele prefere jogar aberto, preparando as jogadas. Nos próximos dias, sonha em ganhar mais visibilidade nos dois jogos contra o Tricolor do Morumbi pelo Paulistão. “No começo do campeonato, ninguém acreditava no nosso elenco. Até agora não acreditam. Todos dizem que a final será entre Santos e São Paulo e, por isso, poderemos jogar tranqüilos”, destaca o atacante, que está com 25 anos e quer continuar surpreendendo.