Kiara Mila Oliveira
kiara.mila@jornaldebrasilia.com.br
Que o futebol feminino é desvalorizado e não recebe apoio, todos sabem. Mas os ventos da sorte resolveram soprar a favor da jovem Layne Gonçalves. Eles trouxeram a oportunidade única de ela ir se destacar no exterior, mais precisamente na Roma, da Itália.
Tudo isto por causa de um vídeo publicado na internet. Nayara Albuquerque, presidente do futebol feminino do Minas Tênis Clube, atual elenco da Layne, gravou o momento em que a atleta marcava um gol em um jogo do Candangão da categoria. Ao assisti-lo, é possível observá-la fazer uma tabela com a companheira, receber a bola de volta, dar um chapéu na adversária e marcar o tento.
O vídeo foi elogiado e visto por um dos membros da Roma. A proposta chegou em seguida e Layne está de passagem comprada para o próximo 12 de agosto.
“Sei que é uma oportunidade para poucas. Vou com a cara e a coragem. Não me vejo fazendo outra coisa, além de jogar futebol”, crava a atleta de 22 anos. Layne jogou no Ascoop (DF) e Portuguesa (SP) antes de integrar o Minas.
Layne confessa que a maior dificuldade em morar na Itália vai ser a saudade da família. “Acima de tudo, eles sabem que isso é muito importante para mim. Não há muito o que questionar”, acrescenta.
Técnico lamenta a perda
Quem mais lamenta a saída de Layne, além da família da atleta, é o técnico Edmardo Singo. Há três anos no comando do grupo, ele garante que vai ser difícil encontrar uma atleta completa como ela.
“Ela tem muita qualidade, força e velocidade. Vai ficar um buraco enorme na minha lateral direita”, preocupa-se. Para suprir a ausência, ele é a comissão técnica estudam a possibilidade de contratar alguém de outro estado.
Acostumado a liderar mulheres, Singo acrescenta as dificuldades em lidar com isso e destaca as qualidades em comandar equipe masculinas.
“Mulher tem personalidade e ego muito fortes. Muitas vezes preciso fazer o impossível para que o pior não aconteça”, brinca o comandante, bem longe delas. (K.M.O.)
Presidente só volta com o “ok”
Para se precaver de qualquer surpresa desagradável, Layne viaja no próximo dia 12 com a presidente do Futebol Feminino do Minas Tênis Clube, Nayara Albuquerque. De acordo com ela, não há a menor possibilidade de assinar nada antes de deixá-la sozinha no exterior.
“Podia muito bem assinar o contrato via correios, mas não sei como as coisas funcionam lá, então vou fazer tudo pessoalmente”, explica Nayara. As fotos das instalações do clube divulgadas na Internet não são suficientes para convencê-la a concretizar a negociação.
Pé atrás
Caso a situação não saia como o planejado, Layne também está com a passagem de volta garantida. Ciente de que o sonho pode acabar na mesma proporção que surgiu, a lateral mantém os pés no chão.
“É outro país, outra cultura e não vou conhecer ninguém por lá. As coisas são difíceis mesmo. Não quero ir para um clube que não atenda às minhas necessidades”, comenta a jogadora. De acordo com Nayara, o passe da atleta será negociado por um preço simbólico, buscando dar oportunidade às atletas.