O Palmeiras começou o ano com nove vitórias em dez jogos exaltado por sua juventude e velocidade. Mas seu último reforço destoa do perfil. Credenciado pelo vice-campeonato da Libertadores com o Atlético-PR em 2005 e a Sul-americana conquistada com o Inter em 2008, Marcão chega com 33 anos ao Palestra Itália para adicionar garra e experiência. E uma delas ele carregou por toda a carreira: saber controlar as baladas.
O novo camisa 13 alviverde foi apresentado nesta quinta-feira demonstrando serenidade. Mesmo sem ser perguntado, revelou que pode ajudar não só pela mobilidade tática que Wanderley Luxemburgo aprecia – pode ser lateral-esquerdo ou terceiro zagueiro. O defensor conta que poderia ter chegado a um clube grande antes dos dois últimos anos de sucesso no Beira-Rio.
“Comecei minha carreira muito deslumbrado. Em 1999, o São Caetano me emprestou para o Atlético-MG, mas me preocupei muito com o que acontecia fora de campo, ia muito para bares, saía toda noite. Desperdicei a chance. Chegava no treino e sentia cãibras. Não tinha jeito e eles me devolveram para o São Caetano”, relatou Marcão, que na época recusava-se a ouvir conselhos do então volante Alexandre Gallo, hoje técnico do Bahia.
“Todo jogador tem direito a ter uma vida social, mas eu exagerei e deixei passar a oportunidade. Ainda bem que tive uma segunda chance e hoje pude me recuperar, porque tem gente que não tem uma nova oportunidade”, argumentou o ex-jogador do Internacional.
Segundo mais velho do elenco palmeirense – apenas Marcos é mais vivido que o recém-contratado -, o lateral/zagueiro espera repetir o que Gallo tentou fazer há dez anos, quando Marcão, então com 23 anos, passou despercebido mesmo no vice-campeonato nacional do Atlético-MG.
“Procuro passar para os mais jovens que não se pode desperdiçar a chance em um time grande. Mas não vou repreender ninguém. Quem sou eu para julgar alguém? Sei como é ser solteiro e curtir a noite quando se é jovem”, comentou o jogador, também pronto para ajudar a equipe com sua experiência dentro de campo.
“Dentro de campo, não tem idade. Todo mundo tem sua responsabilidade. O que posso fazer junto com o Edmilson e o Marcos é pedir para administrar o jogo, segurar o jogo. Lá atrás não posso segurar a bola, mas peço para o pessoal da frente fazer isso”, indicou o jogador.
E é com este espírito que o atleta, com atuações marcantes por Atlético-PR e Inter, espera não repetir o que fez quando esteve no interior paulista, futebol árabe e japonês e nem é lembrado. “Estou muito feliz de jogar no Palmeiras. A satisfação é muito grande”, sorriu o ex-baladeiro.