Ela é uma das poucas estrelas que estará presente em cada um dos 64 espetáculos que o Brasil vai protagonizar entre os dias 12 de junho e 13 de julho. Desde 1930, as bolas usadas nas Copas do Mundo passaram por diversas reformulações em vários sentidos. Do primeiro Mundial, disputado no Uruguai, até agora, mudaram de material, cor e desenho, mas algo não variou: o seu protagonismo.
Especialmente na Copa passada, a bola ganhou status de superstar devido às curvas inesperadas que fazia após os chutes. Mas, se em 2010 a traiçoeira Jabulani foi vítima de polêmica e alvejada por críticas de jogadores, a Brazuca, nome escolhido para a bola do Mundial 2014, não deve sofrer tanto.
Isso porque desta vez, na criação da Brazuca, a marca de fornecimento esportivo responsável pela bola se cercou de cuidados – os testes foram exaustivos, por cerca dois anos e meio de avaliações, em um processo que envolveu 600 jogadores, de 30 times, em dez países do mundo.
Em 2010, o goleiro Julio Cesar, titular da meta brasileira, chegou a afirmar que a Jabulani era “igual a uma bola de supermercado”. O discurso em relação à Brazuca, porém, mudou radicalmente. Em entrevista coletiva ontem, após treino na Granja Comary, o arqueiro foi só elogios. Ele está acostumado a jogar com ela, uma vez que a MLS, principal liga de futebol dos Estados Unidos e que é disputada pelo Toronto FC, atual equipe do camisa 12, é uma das que usam a bola em suas partidas.
“Já vinha treinando e jogando com ela, isso me ajuda bastante a desempenhar bons trabalhos aqui. É uma bola boa, acho que os jogadores de linha vão gostar.”
Durante o Tour da Taça em Brasília, diversas crianças puderam ver não só o objeto de cobiça das 32 seleções que desembarcarão no Brasil para a disputa do Mundial, como também as bolas que foram utilizadas nas Copas desde 1970. “A Brazuca é muito linda. Ela fica ainda mais bonita por ter um nome parecido com o nome do nosso país”, disse Fernanda Giani, de 11 anos.
As cores da bola foram primordiais para capturar a atenção de Guilherme Moraes, 9 anos. “Achei a Brazuca uma bola bonita. Ela tem as cores muito lindas e achei ela mais macia do que as outras bolas”, aponta.
Houve também quem não gostasse. “Não achei nada demais. Não vi nada que remetesse ao Brasil. A Gorduchinha (bola de uma concorrente da Adidas e que não será usada no Mundial), pelo menos, é verde e amarela”, detona a hoteleira Thuanne Ramos.
O professor de educação física Jaime Gonçalves viu de perto duas velhas conhecidas: a Jabulani e a Brazuca. “Apesar de ser uma excelente bola, achei a Brazuca um pouco leve, até mais do que a Jabulani. São parecidas, mas a Brazuca é melhor porque a trajetória não varia tanto quanto a Jabulani.”
Evolução das bolas da Copa
1930: A bola da Copa do Uruguai era composta por 12 peças distintas e era feita em couro. Na final, argentinos e uruguaios duelaram por qual bola seria usada. Resultado? Uma em cada tempo.
1934: A bola na Itália era semelhante à usada no Uruguai, já que tinha 12 gomos e era feita em couro. A principal diferença ficou no formato dos gomos, bem diferentes da bola de quatro anos antes.
1938: Produzida na França, também apresentou a receita de 12 gomos e produzida em couro. A bola do primeiro Mundial sediado na França foi a última a contar com a abertura fechada com cadarço.
1950: A do Mundial no Brasil não tinha o cadarço que cruzava um dos gomos. A costura, por sua vez, era interna. O couro dos 12 gomos fazia com que a bola ficasse muito mais pesada caso fosse molhada.
1954: Teve como principal inovação o aumento no número de gomos, de 12 para 18. Se assemelhou a uma bola de vôlei e foi a primeira em que a Fifa regulamentou peso e diâmetro para bolas.
1958: A do 1º título do Brasil, também feita em couro e com 18 gomos, tinha costuras feitas em zigue-zague, o que diminuía a tensão. A Fifa precisou realizar diversos testes antes de chegar à escolha definitiva.
1962: A bola do bicampeonato mundial do Brasil não foi produzida no Chile, país-sede da Copa de 1962. Isso porque as bolas locais não agradaram à Fifa, que recorreu a modelos europeus .
1966: Foi a última bola de Copa do Mundo que não foi produzida pela Adidas. Também foi a última a usar o formato de 18 gomos. Mais uma das bolas que tiveram o formato semelhante a uma bola de vôlei.
1970: A Telstar, primeira produzida pela Adidas, homenageou um satélite de telecomunicações de 1962. Era composta por 32 gomos: 12 pentagonais pretos e 20 hexagonais brancos.
1974: Pouco mudou em relação à bola do Mundial anterior. Recebeu diferentes versões, como a Super Lux, composta em couro laranja e preto, utilizada em jogos na neve, para facilitar a visualização.
1978: A Tango recebeu esse nome em menção ao gênero musical mais famoso da Argentina, sede da Copa. Os desenhos contidos nos gomos da bola formavam um interessante padrão, com 12 círculos iguais.
1982: A principal diferença da Tango Espanha ficou por conta do material sintético nas costuras, o que fazia com que o peso pouco alterasse em jogos com chuva. Foi a última feita em couro.
1986: A Azteca foi a primeira a receber desenhos estilizados referentes ao país-sede da Copa do Mundo. Também foi a primeira a ser feita com material sintético, completamente à prova d’água.
1990: A Etrusco teve inspiração em desenhos italianos. Para o padrão dos gomos, foram escolhidas as cabeças de leões etruscos. Ela também foi usada na Eurocopa de 1992, na Suécia.
1994: A bola do tetra do Brasil foi a primeira a levantar reclamações de goleiros. O material, levemente liso, fazia com que a bola ficasse instável em superfícies úmidas, o que atrapalhava a vida dos arqueiros.
1998: A Tricolore foi a primeira bola colorida feita pela Adidas para Copas. As cores foram inspiradas na bandeira francesa, país-sede do Mundial de 1998. Foi feita com um material sintético.
2002: Depois de três anos no Centro de Desenvolvimento da Adidas, a Fevernova foi concebida. Recebeu críticas por ser supostamente muito leve. Teve desenhos inspirados na cultura asiática.
2006: Demorou três anos para ser desenvolvida. A TeamGeist, espírito de equipe em alemão, tinha 14 gomos e apresentava a frase “é tempo de fazer amigos”.
2010: Jabulani. A bola que mais recebeu críticas em todas as edições da Copa. Possuía 11 cores, simbolizando cada etnia da África do Sul. Ganhou uma edição especial para a final, em dourado.