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Discos de vinil voltam a ser populares

Os famosos ‘bolachões’ vêm sendo adquiridos não só por quem viveu a época de ouro dos LPs, mas também pelos ouvintes mais jovens

vinis Foto: Felype Afonso/Jornal de Brasília

Vinis são coisa do passado? Os famosos ‘bolachões’ já foram superados pelos CDs, por aparelhos como MP3 e iPods, pelas mídias digitais e mais recentemente pelos serviços de streaming. Ainda assim, nunca pararam de ser vendidos ou colecionados. Agora, com artistas lançando álbuns também em formato de LP, os discos parecem estar voltando à tona e atraindo consumidores mais jovens.

O vinil deixou de ser prensado no Brasil em 1997, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD), mesmo com o país tendo se tornado o maior consumidor de LPs do mundo três anos antes, em 1994. Com a falta de demanda, muitos artistas pararam de lançar seus trabalhos em vinil, sobretudo na transição da década de 1990 para os anos 2000.

Nos últimos anos, contudo, os LPs voltaram a ser produzidos nacionalmente, lojas de vinis começaram a reaparecer, e novos consumidores surgiram para concretizar esse retorno. O público mais jovem está cada vez mais consumindo música no formato físico, principalmente a geração Z (nascidos entre 1995 e 2015). Um relatório da RIAA (Recording Industry Association of America) de 2017 analisou que os downloads digitais das músicas apresentavam uma venda menor em comparação à mídia física, como CDs e vinis. Álbuns de bandas e artistas clássicos como Janis Joplin, Beatles e Pink Floyd foram relançados, e, mais recentemente, cantores como Ed Sheeran, Taylor Swift e Olivia Rodrigo começaram a lançar seus trabalhos também em formatos de LPs.

Luiz Moreira, 54 anos, é dono da loja de compra e venda Funhouse Discos, localizada no Conic. O comerciante opina sobre o motivo da volta dos vinis. “Nos últimos 10 anos houve uma procura muito grande, por causa da volta do analógico (vitrolas e afins). No exterior, ele foi mantido, mas aqui não. Só que agora essa nostalgia está retornando”, comenta. Ele afirma que o público na Funhouse é de todas as idades. “Tem o pessoal mais velho que comprava nos anos 1970 e 1980 e está voltando a comprar, e está havendo uma procura bem legal da molecada de 10, 15, 20 anos. Eles estão descobrindo o que é a mídia analógica, cada vez mais curiosos”, completa.

Muitos consumidores buscam o disco de vinil por conta da experiência, uma vez que o LP é um produto tátil. Para Luiz, isso contagia o ouvinte e o faz criar o hábito de colecionar. “Quem gosta do vinil quer ouvir o que tem no streaming, mas também quer fazer sua coleção”, acredita. Na visão do comerciante, colocar um bolachão para tocar não tem preço. “O streaming é bom para uma festa ou ouvir no carro, mas para escutar música, o bom e velho vinil é diferente.”

Há ainda quem enxergue o vinil como item afetivo. E já que falamos de experiência e nostalgia, a designer de moda Lucila Pena vê nos discos a união das duas coisas. “Gosto do que o vinil me proporciona, o toque, o afeto… nos fins de semana, com mais tempo, coloco um disco para tocar e passo um café enquanto escuto uma boa música. Vou olhando minhas caixas, redescobrindo sons que não escutava há tempos, álbuns que estão ali e eu nem me lembrava mais.”

Lucila conta que até hoje tem o hábito de adquirir discos novos. “Eu faço parte de um clube dedicado a essa cultura de LPs. Eles me enviam os vinis em casa. E às vezes, são de artistas novos, que eu nem conhecia”, explica Lucila. “Assim como há muitos conteúdos disponíveis apenas em plataformas digitais, tem muita coisa que a gente só acha no formato físico”, encerra.

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