Zé Felipe também aparece como investigado em documentos do Coaf ligados à apuração da Polícia Federal envolvendo a Talismã Digital, empresa da qual ele foi sócio ao lado de Virginia Fonseca. Segundo informações publicadas pelo Extra, a empresa movimentou R$ 22,4 milhões entre março e setembro de 2024, em transações que chamaram a atenção de instituições financeiras.
Eu deixei a livraria em Palermo com a dignidade de quem não comprou um livro de arquitetura inútil, mas comprei um marcador caro o bastante para exigir reflexão. A tarde já estava com cara de almoço atrasado, então parei numa lojinha de empanadas minúscula, dessas que têm três mesas, cheiro de massa quente e um senhor no balcão tratando todo mundo como se fosse parente distante. Pedi duas. Antes da primeira mordida, apareceu Zé Felipe, Virginia, Polícia Federal, Coaf e R$ 22 milhões na mesma conversa. Larguei o guardanapo. Porque quando ex-casal famoso entra em investigação financeira, meu amor, nem a empanada consegue ficar leve.

De acordo com a publicação, Zé Felipe, filho de Leonardo e ex-marido de Virginia, consta como investigado após comunicações de instituições financeiras apontarem movimentações na Talismã Digital. A empresa de mídias digitais era mantida pelo ex-casal como sociedade e, atualmente, pertence apenas à influenciadora.
Entre março e setembro de 2024, a Talismã teria recebido R$ 22,4 milhões. O alerta, segundo a reportagem, veio pela forma como os valores foram pagos: R$ 21,4 milhões por meio de 44 Pix e mais R$ 1 milhão em 18 transferências via TED.
O principal depositante seria a AMP Pay Marketing e Negócios, que teria feito cinco pagamentos via Pix, somando R$ 17,7 milhões. A empresa, segundo as informações divulgadas, funciona em um box em Itajaí, Santa Catarina, e está registrada no Simples, regime voltado a empresas com limite de faturamento anual de R$ 4,8 milhões.

É aí que a história muda de tom. Porque fofoca de reconciliação, festa de filha e indireta em rede social é uma coisa. Coaf, PF, Pix fracionado, empresa no Simples e milhões circulando em poucos meses é outra prateleira. Essa não fica no camarote do entretenimento. Vai direto para a mesa fria da investigação.
Virginia ainda não se manifestou oficialmente sobre a apuração, mas usou as redes sociais para defender suas empresas. Ela afirmou que sua fortuna é fruto de muito trabalho e disse que os números das companhias que construiu passaram a ser questionados “mesmo sendo auditados por uma das maiores empresas de auditoria, a BDO”.
“Quando construí empresas do zero, fui julgada. Me lembro de quando diziam que não duraria um ano. Depois que era barato demais. Depois que era sorte”, escreveu Virginia.“E quando já não existia mais o que dizer, começaram a questionar os métodos, os números e os resultados”.
Zé Felipe, até o momento, não havia apresentado uma manifestação pública específica sobre a citação de seu nome na investigação.
Terminei a primeira empanada olhando para a rua e pensando que o Brasil conseguiu transformar o casal mais comentado do entretenimento em pauta de relacionamento, música, família, reconciliação e agora investigação financeira. É muita temporada para um streaming só. Se antes a pergunta era “voltaram?”, agora o roteiro ficou mais pesado: quem pagou, por que pagou e como esse dinheiro passou pela empresa. Amor pode até acabar em silêncio. Pix de R$ 22 milhões, minha filha, costuma deixar rastro.