Erick Jacquin revelou que, antes de se tornar um dos rostos mais populares da televisão brasileira, foi rejeitado em um teste para um programa do SBT. O chef francês contou que participou de uma seleção para um formato semelhante ao Pesadelo na Cozinha, mas acabou ficando de fora porque seu português ainda era considerado insuficiente para o projeto.
Eu estava tentando fazer uma pausa estratégica entre uma pauta e outra, acreditando ingenuamente que teria alguns minutos de sossego, quando me deparei com essa história. E vou confessar: precisei ler duas vezes. Porque imaginar que alguém recusou Jacquin justamente pelo jeito de falar parece uma dessas ironias que só a televisão consegue produzir.

Em entrevista ao canal de João Curry no YouTube, o chef relembrou um dos períodos mais difíceis da sua vida. Na época, ele acreditava que a televisão poderia ser a oportunidade para reorganizar sua situação financeira e profissional.
“Eu falei com a minha mulher: só a televisão pra salvar minha vida, nossa vida”, recordou.
Foi nesse contexto que surgiu a chance de participar de um projeto no SBT. Apesar da expectativa, o resultado não foi o esperado.
“Não me pegou porque meu português estava muito ruim. Engraçado”, contou o chef.
Segundo Jacquin, ele chegou a procurar soluções para contornar a questão do idioma. Entre as alternativas consideradas estavam aulas de locução, cursos de português e até algo mais simples: o uso de legendas durante as gravações.
“Eu falei para a minha mulher: bota legenda, me legenda. Ela falou: ‘Não, nem pensar’”, relembrou, aos risos.
O formato para o qual ele fez teste tinha uma proposta parecida com a de programas de resgate de restaurantes, modelo que anos depois faria enorme sucesso justamente com Jacquin à frente. Mas, naquele momento, a barreira linguística pesou mais do que o talento gastronômico.
A grande virada aconteceu em 2014, quando surgiu o convite para integrar o elenco do MasterChef Brasil, na Band. O programa mudou completamente sua trajetória.
“Chegou a minha vez”, afirmou.
Jacquin define a oportunidade como a “chave do retorno” da sua vida profissional. Ele também fez questão de reconhecer a importância da emissora e de Ana Paula Padrão, apresentadora que comandou o reality culinário durante uma década.
O chef contou ainda que, no início do programa, conhecia pouco os colegas de bancada, Henrique Fogaça e Paola Carosella, mas que a convivência acabou ajudando a construir uma das formações mais marcantes da televisão brasileira.
A história levanta uma discussão inevitável: até que ponto a dificuldade com o idioma justificava a recusa? Para alguns, foi apenas uma decisão técnica de elenco. Para outros, o caso revela como sotaques estrangeiros ainda enfrentam resistência em determinados espaços da mídia.

O fato é que o tempo tratou de responder melhor do que qualquer executivo de televisão. O português carregado de sotaque que um dia foi visto como obstáculo virou justamente uma das marcas mais queridas de Erick Jacquin. Expressões, erros de concordância, frases improvisadas e o jeito único de se comunicar acabaram se transformando em parte fundamental do personagem que conquistou milhões de brasileiros.
No fim das contas, o que parecia defeito virou assinatura. E talvez esteja aí a maior lição dessa história: às vezes o detalhe que faz alguém ser rejeitado é exatamente o que o torna inesquecível.