Quem me conhece sabe que a minha devoção a Santo Antônio sempre foi estratégica, prática e muito bem fundamentada, afinal o santo casamenteiro nunca me desapontou quando precisei. Então, quando a assessoria do ME Ateliê da Fotografia aterrisou aqui no Cosme Velho com a programação completa da 12ª edição de ANTÔNIOS, fui direto ao que interessa: Vik Muniz, o homem que transformou lixo em arte no Jardim Gramacho e virou Embaixador da Boa Vontade da UNESCO, está assinando a mostra como grande convidado. Se você não parou para processar isso, eu repito, Vik Muniz, em Salvador, em uma exposição gratuita dedicada ao padroeiro dos sem-amor.

A mostra acontece na Ladeira do Boqueirão número 6, no coração do Santo Antônio Além do Carmo, de sexta a domingo das 16h às 19h, do dia 29 de maio até 10 de julho. O curador Mário Edson comanda uma odisseia visual com 38 obras ao todo, entre fotógrafos, pintores, escultores e artistas plásticos dos mais diversos. O elemento condutor desta edição é o altar, podendo aparecer em formato 2D ou 3D, com cada artista tendo liberdade total de trabalhar sua linguagem em torno da figura de Santo Antônio. O resultado, segundo tudo que chegou até mim, é uma mostra que mistura devoção, contemporaneidade e um leve caos criativo que a Bahia sabe fazer como ninguém.

O histórico da ANTÔNIOS já garantiria a entrada desta edição no panteão cultural baiano: desde 2016, a mostra já homenageou Frida Kahlo, Clarice Lispector, Ariano Suassuna, José Saramago, Milton Nascimento, Mãe Stella de Oxóssi e até o cinema brasileiro. E trouxe para o bairro nomes como Alessandra Negrini e Edvana Carvalho. A programação paralela desta edição ainda inclui Oficina de Fotografia com Celular, roda de conversa com Neilton Oliveira, bate-papo online com Edison Veiga que é biógrafo do próprio santo, instalação do altar tradicional na praça e a imperdível Noite da Reza na Trezena, marcada para 8 de junho a partir das 19h30.

Entrada gratuita, arte de primeiro time, Santo Antônio como fio condutor e Vik Muniz dando o tom da noite. Quem vier reclamar que Salvador não tem agenda cultural para disputar com qualquer capital do país vai ter que enfrentar essa programação inteira, mais os 37 nomes no cartaz, mais a devoção histórica de um bairro que leva o santo no próprio nome.
