Samir Xaud, presidente da CBF, virou o nome mais comentado dos bastidores da Copa do Mundo depois de ser acusado por Leo Dias de manter uma suposta amante em hotel de luxo em Nova York enquanto a esposa acompanhava compromissos no México. Mas, antes de ocupar o centro da fofoca esportiva, o dirigente já tinha uma trajetória curiosa: médico, empresário, herdeiro político do futebol de Roraima e figura que chegou ao comando da confederação prometendo transparência.
Eu já tinha voltado para a cidade do Rio de Janeiro depois do almoço em Niterói e tentava decidir se ia para casa ou se fingia disposição para resolver a vida, quando me peguei lendo o perfil do homem. Aí, meu amor, não teve jeito. Médico, cartola, galã de federação, casado há 20 anos e agora acusado de fazer logística amorosa internacional com a CBF no meio? Isso não é perfil. Isso é dossiê com perfume importado e crachá na lapela.

Samir Xaud assumiu a presidência da CBF em maio de 2025, após se apresentar como candidato único. Ele recebeu apoio de 25 das 27 federações estaduais e de 10 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro. O movimento esvaziou nomes mais populares, incluindo Ronaldo Fenômeno, que chegou a tentar viabilizar candidatura ao comando da entidade, mas não conseguiu apoio das federações.
Formado em medicina, Samir também é empresário. Em Roraima, chegou a atuar como diretor do Hospital Geral do estado e é dono de um centro de treinamento em Boa Vista. No futebol, a ligação vem de família: ele é filho de Zeca Xaud, que comanda há décadas a Federação Roraimense de Futebol. Samir também era apontado como sucessor natural do pai na entidade local, cargo que assumiria em 2027.
A chegada dele ao comando da CBF, porém, não foi exatamente uma festa para todos. Parte dos clubes boicotou a eleição e cobrou mudanças no estatuto da confederação, que dá peso maior às federações estaduais do que aos times. Na época, dirigentes de clubes reclamaram que o modelo mantém as equipes fora das decisões centrais do futebol brasileiro.
Mesmo assim, Samir chegou prometendo modernização. O discurso de campanha falava em “Futebol para Todos: Transparência, Inclusão e Modernização”, com defesa do fortalecimento das federações, melhor uso dos recursos, desenvolvimento do futebol feminino e autonomia para as comissões técnicas. Um pacote bonito no papel, daqueles que brilham em PowerPoint e depois enfrentam a vida real.
Agora, o presidente da CBF aparece em uma crise bem menos institucional e muito mais novelesca. Segundo Leo Dias, Samir teria mantido a esposa, Natália Xaud, no México durante a Copa, enquanto Camila Cristina Andrade, empresária fitness de Roraima apontada como suposta amante, teria ficado hospedada em Nova York. A denúncia também afirma que despesas ligadas à viagem teriam relação com a estrutura da CBF.
A reportagem afirmou ainda que Samir teria feito uma movimentação financeira de emergência após ser questionado sobre os valores, tentando evitar que a conta fosse faturada em nome da CBF. A entidade pediu prazo até terça-feira (16) para prestar esclarecimentos sobre os custos questionados.

A ironia é que o homem que chegou falando em transparência agora precisa explicar um enredo cheio de sombra: esposa em um país, suposta amante em outro, hotel de luxo, restaurante badalado, carro à disposição e a entidade máxima do futebol no meio da confusão. No campo, a Seleção tenta ganhar jogo. Fora dele, o presidente tenta sair do impedimento.
E olha, se Samir Xaud queria entrar para a história da CBF como médico gestor, moderno e técnico, a internet já rebatizou o prontuário. Virou o galã da cartolagem, o homem do check-in duplo, o doutor que prometeu transparência e acabou tendo a vida amorosa analisada em alta definição. A Copa do Mundo mal começou e a resenha já está vencendo de goleada.