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Kátia Flávia
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Treta em Mato Grosso do Sul: operação anticorrupção expõe esquema na saúde e derruba chefe de confiança do governo

Operação em Mato Grosso do Sul escancara fraudes na saúde com figurão do governo caindo junto com a papelada suspeita de exames e cirurgias; e ainda tem político fazendo cara de surpresa como se não soubesse de nada na fila do camarote.

Kátia Flávia

08/07/2026 11h02

Operação em Mato Grosso do Sul coloca contratos da saúde no centro de uma nova crise política.

Operação em Mato Grosso do Sul coloca contratos da saúde no centro de uma nova crise política.

Eu estava aqui no Leblon, tentando decidir se ia direto para a academia ou para um shopping, quando o celular começou a apitar mais do que caixa de som em after de sertanejo universitário. Mato Grosso do Sul entrou em modo treta máxima, com operação anticorrupção fuçando contratos de saúde e derrubando aquele tipo de chefe de confiança que vive jurando que é “técnico”, mas conhece todos os advogados criminalistas pelo primeiro nome. A fofoca oficial é corrupção, mas a fofoca real é outra: gente decidindo quem fazia exame e cirurgia enquanto contava quanto ia pingar na conta.

Quem acompanha as confusões por lá sabe que não é capítulo único, é temporada inteira. Já teve investigação em cima de compra de livros, contratos de judicialização da saúde, licitação esquisita e aquele clássico combo de empresa amiga ganhando tudo e concorrente assistindo pela janela. E no meio disso aparece sempre o mesmo perfil de personagem: secretário que posa de gestor moderno, chefe de setor que manda mais que o titular e assessor que não posta uma foto no Instagram sem relógio caro aparecendo discretamente na borda. A graça para a fofoqueira aqui é ver como o roteiro se repete, só muda o sobrenome que cai no Diário Oficial.

A investigação sobre supostas fraudes na saúde movimentou os bastidores de Campo Grande e agitou as redes sociais.
A investigação sobre supostas fraudes na saúde movimentou os bastidores de Campo Grande e agitou as redes sociais.

Nas redes, a diferença é gritante. De um lado, morador reclamando que esperou meses por exame enquanto vê na TV que tinha dinheiro rodando solto em contrato turbinado e esquema de liberação seletiva. Do outro, político que ontem postava selfie em hospital público hoje some do feed, some dos stories e aparece apenas em nota fria, escrita por assessor, dizendo que “confia na Justiça” e “desconhece irregularidades”. É o famoso engajamento seletivo: para inauguração de obra tem live em todas as plataformas, para explicar quem deixou a fila do SUS travada, só silêncio e advogado alinhando discurso.

Soube de um telefonema que rodou forte aqui no Rio de Janeiro, daquelas ligações que atravessam Brasília, Campo Grande e param na mesa de quem manda soltar verba. Eu já tinha terminado uma taça de champanhe num rooftop em Ipanema quando a história chegou inteira: a queda do figurão na saúde não foi surpresa alguma, foi só a faxina mínima para tentar segurar a narrativa antes que a próxima fase da investigação exploda nomes ainda mais graúdos. Enquanto o público discute no X se é caso de impeachment ou de esquecimento coletivo, tem gente correndo para ajeitar contrato, apagar mensagem e revisar quem foi que recebeu o quê nos últimos anos.

Operação em Mato Grosso do Sul coloca contratos da saúde no centro de uma nova crise política.
Operação em Mato Grosso do Sul coloca contratos da saúde no centro de uma nova crise política.

Corrupção em saúde é a fronteira final da cafonice política, porque mistura vaidade de gabinete com crueldade de quem nunca precisou disputar vaga em exame pelo SUS. Quando o escândalo envolve exame, cirurgia e fila de hospital, não tem “eu não sabia”, tem escolha. E quem escolhe brincar com isso merece exatamente o que vem aí: manchete, processo, queda e, claro, a visita atenta da Kátia Flávia, anotando cada detalhe para contar no próximo jantar no Jardim Botânico como se fosse história engraçada, só que com nome, sobrenome e currículo inteiro na pontinha da língua.

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