No Cosme Velho, a casa está em plena faxina para receber as amigas mais tarde, mas o pano de pó quase voou longe quando chegou o novo mergulho emocional de Thais Piza. A cantora, atriz e compositora lançou nesta quinta-feira (14) o EP “eu tô me achando cafona”, um trabalho que entra de salto alto na dor de amor, na rejeição, na saudade e nessa fragilidade que muita gente tenta esconder atrás de legenda fria e pose de superada. Pois aqui não, meu amor. Aqui a ferida canta.
Conhecida por integrar a banda fixa do Caldeirão com Mion e por protagonizar grandes montagens do teatro musical brasileiro, Thais decidiu remar contra essa maré de desapego fabricado que tomou conta das redes. O EP reúne quatro faixas como capítulos de uma mesma novela afetiva, daquelas em que a mocinha sofre, olha para o teto, lembra do bonito errado e ainda acha força para transformar o vexame emocional em arte. A artista chama o projeto de manifesto contra a estética do desapego, e a coluna já bate palma com a mão cheia de anel.

A faísca do projeto veio de uma pergunta feita pela própria Thais ao público: “Você ouve música pra quê?”. A resposta, no fundo, foi quase uma confissão coletiva: muita gente ainda procura música para sentir, sofrer, lembrar, atravessar términos e se reconhecer no drama alheio. “Tem que ter muita coragem pra falar de amor de forma sincera. Pra expor que já foi magoado, machucado, traído. Eu resolvi fazer um EP só com músicas sobre isso”, afirma a cantora. Coragem mesmo, porque hoje tem gente que prefere postar frase enigmática a admitir que tomou um tombo afetivo de deixar marca.
Na sonoridade, “eu tô me achando cafona” aposta em arranjos orgânicos, interpretação intensa e produção musical refinada, sem aquela maquiagem sonora que tenta esconder falta de alma. Thais assina a produção ao lado de André Abujamra, Tuca Alves e Gustavo Salgado, formando uma base que valoriza emoção, respiro e presença vocal. O EP ainda traz participação de Igor Godoi, descrito por ela como sua voz masculina preferida. Olha a intimidade artística gritando, Brasil.

A nova fase também vai ganhar corpo em videoclipes e lyric videos, com uma estética emocional pensada para ampliar a narrativa das canções. As imagens promocionais foram captadas por Rodolfo Magalhães, reforçando esse momento em que Thais parece menos preocupada em parecer blindada e mais interessada em expor a humanidade sem pedir desculpa. Em tempos de feed plastificado, uma artista assumindo vulnerabilidade vira quase um ato de desacato sentimental. Delicioso.
Além do EP, Thais se prepara para estrear no musical Come From Away, em sua versão brasileira, “Vindos de Longe”, no papel de Beverly Bass, primeira mulher comandante da história da American Airlines. O espetáculo estreia em junho, no Teatro Ruth Escobar, em São Paulo. O veredito é simples: Thais Piza pegou a dor de amor, passou batom, colocou no palco e chamou de cafona. Cafona, meu bem, é jurar maturidade emocional e continuar stalkeando o ex pelo perfil da prima.