O governador Tarcísio de Freitas afirmou nesta quinta-feira (21) que um operador financeiro do PCC preso na Operação Vérnix estava com uma caixa de dinheiro destinada a Deolane Bezerra. Eu tinha acabado de levantar da mesa para procurar o carregador do celular, porque a tarde já tinha comido 72% da bateria e metade da minha paciência, quando uma fonte de São Paulo ligou dizendo: “Agora tem fala do governador.” Voltei para a cadeira na hora. Porque quando Deolane já está presa, Marcola aparece no mesmo processo e Tarcísio entra dizendo que havia caixa de dinheiro com nome dela, minha filha, a fofoca morreu e nasceu inquérito com crachá.
A declaração foi feita durante uma agenda do governador em Bauru, no interior paulista. Ao comentar a operação da Polícia Civil, Tarcísio disse que um dos presos apontados como operador do esquema estava com dinheiro que teria Deolane como destinatária. “Foi preso também um operador do esquema, inclusive com uma caixa de dinheiro com remetente [destinatário], para quem iria, que era para a própria influenciadora”, afirmou.

O operador citado por Tarcísio é Everton de Souza, conhecido pelos codinomes “Player” ou “Temer”. Segundo a investigação, ele atuava na gestão de bens e na destinação de fluxos financeiros para a cúpula do Primeiro Comando da Capital, especialmente para Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Alejandro Camacho, irmão do líder da facção.
A Operação Vérnix cumpriu seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão. Entre os alvos estão Deolane, Marcola, Alejandro Camacho, dois sobrinhos do líder do PCC e o próprio Everton. As investigações apontam para um esquema de ocultação de patrimônio que usaria empresas e terceiros para movimentar recursos atribuídos à organização criminosa.
De acordo com a apuração, a polícia chegou a Deolane a partir de Everton. Ele seria ligado à Lopes Lemos Transportadora, empresa apontada como fachada e usada para lavar dinheiro da família de Marcola. A investigação afirma que Everton orientava o administrador operacional Ciro César Lemos a realizar depósitos em contas da influenciadora.
Os investigadores tratam o elo entre Everton e Deolane como central no caso. A polícia aponta que os pagamentos fariam parte de um acerto mensal da facção, chamado de “balancete”, e identificou 34 transações com intermediários repetidos, o que indicaria uma tentativa de fragmentar a trilha do dinheiro.
O relatório também cita Eduardo Affonso Rodrigues, apontado como contador do esquema e responsável por constituir e manter empresas de fachada. Segundo os investigadores, essas empresas funcionavam em endereços residenciais, sem atividade real, ou compartilhavam o mesmo local físico para diferentes CNPJs.
Deolane também aparece como representante legal de Everton em registros policiais e como testemunha em ocorrências nas quais ele figura como vítima. Em interrogatório, Everton afirmou ainda que alugava um apartamento da advogada no Tatuapé, na zona leste de São Paulo, por R$ 5 mil mensais. A defesa de Deolane foi procurada pelo Metrópoles para comentar a suposta caixa de dinheiro, mas não respondeu até a publicação.
Tarcísio afirmou que a polícia tem atuado para fazer a “asfixia financeira” do PCC, que, segundo ele, usa negócios aparentemente lícitos para movimentar recursos do tráfico. A investigação começou em 2019, após bilhetes apreendidos na Penitenciária II de Presidente Venceslau levarem a polícia a uma transportadora e, depois, a uma rede de movimentações financeiras suspeitas.

A cada hora essa história troca de escala. Começou como prisão de influenciadora, virou operação contra facção e agora parece daqueles processos em que até a caixa tem personagem. Eu só queria terminar minha agenda de quarta. A polícia, pelo visto, tinha uma agenda muito mais pesada.