Tatá Werneck voltou às novelas em “Quem Ama Cuida” como Brigitte, personagem que sofre com a rejeição da mãe, Pilar, vivida por Isabel Teixeira, e tem uma vida amorosa marcada por exageros, carência e perseguições aos homens por quem se apaixona. Na trama das nove, ela virou um dos grandes respiros cômicos em meio à guerra familiar dos Brandão e ao mistério sobre a morte de Arthur.
Eu ainda estava no quarto do hotel em Buenos Aires, com a mala aberta em cima daquele suporte que sempre parece prestes a desabar, quando resolvi separar uma roupa mais leve para almoçar em Palermo Hollywood. Tinha acabado de vencer uma briga silenciosa com o zíper da nécessaire quando Brigitte apareceu na tela com aquela energia de mulher que não entra em cena: invade. Parei com uma blusa numa mão, o carregador na outra, e pensei: pronto, a novela encontrou sua maluquinha de luxo.

Brigitte faz parte da família Brandão, núcleo marcado por dinheiro, ressentimentos e afetos completamente atravessados. A personagem é filha de Pilar, uma mulher estratégica e frustrada, que idealiza outros filhos e deixa a filha naquele lugar delicado de quem tenta transformar migalhas emocionais em banquete.
Tatá Werneck explicou que a carência de Brigitte nasce de uma dor antiga, diretamente ligada à relação com a mãe.
“Por trás desse fascínio que ela tem por quem ela se apaixona, existe uma dor. Eu acho que ninguém desiste do amor de uma mãe.”
Ou seja, não estamos falando apenas de uma mulher surtando por amor. Estamos falando de uma personagem construída sobre abandono emocional, insegurança e a eterna busca por validação. E novela das nove sabe transformar ferida aberta em entretenimento como ninguém.
É justamente aí que Tatá cresce. Brigitte poderia ser apenas a personagem exagerada da família rica, criada para entrar em cena, soltar uma frase absurda e desaparecer. Mas existe algo mais profundo. Ela se ilude, exagera, se entrega demais, quebra a cara e, mesmo assim, continua despertando empatia.
No meio de uma trama mergulhada em assassinato, herança, suspeitos, traições e disputas familiares, Brigitte funciona como uma pausa necessária. Não porque esteja distante do drama, mas porque ela transforma o próprio drama em comédia.
A atriz também revelou que já viveu situações parecidas pelo lado oposto. Em entrevista ao gshow, contou que já foi alvo de fãs excessivamente invasivos.

“Eu já fui ‘stalkeada’ por algumas fãs, fiquei até um pouco assustada. Tive um momento em que eu não sabia o limite.”
A experiência ajuda a compor a personagem, que ultrapassa fronteiras emocionais sem perceber até onde está indo.
Fechei a mala com a delicadeza possível de quem já estava atrasada para sair e comer alguma coisa antes de virar personagem de jejum internacional. Brigitte me acompanhou até o elevador. Porque existem personagens que aparecem e desaparecem. E existem aqueles que entram na novela, derrubam um copo imaginário, deixam todo mundo desconfortável e ainda fazem o público agradecer pela bagunça.
Tatá Werneck, meu amor, entendeu exatamente o trabalho.