Eu estava aqui, cuidando da minha vida e do meu café, quando o Globoplay resolveu brincar com o emocional do público brasileiro. A plataforma fechou parceria com a Fremantle e confirmou a chegada de Sullivan’s Crossing, um drama daqueles que já entra pedindo colo e paciência.
A trama gira em torno de Maggie Sullivan, vivida por Morgan Kohan, uma neurocirurgiã com carreira promissora que vê tudo desmoronar e acaba voltando para a cidade que jurou deixar no retrovisor. Só que cidade pequena nunca esquece ninguém, muito menos uma filha que foi embora achando que estava resolvida.
Lá está o pai, Sully, interpretado por Scott Patterson, no papel clássico de pai durão, emocionalmente travado e com histórico de silêncio constrangedor. Eu chamo de personagem perfeito para render briga, reconciliação mal feita e aquela conversa que começa torta e termina em lágrima.
Como toda boa novela importada, entra um galã estrategicamente posicionado para bagunçar tudo. Cal Jones surge com o rosto de Chad Michael Murray, e eu nem precisei de sinopse para entender que ali vem romance com trauma, aproximação lenta e aquele olhar que resolve metade do roteiro.
A série é baseada nos livros de Robyn Carr, especialista em transformar cidade pequena em fábrica de confusão emocional. A adaptação para a TV ficou sob comando de Roma Roth, que sabe exatamente onde apertar para o público sofrer com classe.
Filmada na Nova Escócia, Sullivan’s Crossing entrega paisagem bonita, comunidade intrometida, passado mal resolvido e romance em ebulição controlada. Do tipo que faz o espectador defender personagem errado, criar ranço seletivo e comentar como se estivesse falando de parentes distantes.
Resumo da coluna, Globoplay trouxe um dramalhão estrangeiro com cheiro de novela das nove, elenco conhecido e conflito emocional suficiente para render conversa fiada por semanas. Eu já escolhi meu lado, já tenho favoritos e já estou pronta para fingir surpresa a cada reviravolta.