Eu estava achando que o Carnaval já tinha me mostrado tudo, até Roberta Miranda resolver aparecer no roteiro como quem diz segurem meu microfone. A cantora confirmou presença no Galo da Madrugada, em Recife, e no mesmo dia ainda se apresenta no Carnaval de João Pessoa. Sim, meus amores, dois palcos, duas cidades e uma diva que não brinca em serviço.
Na minha cabeça, isso é cena de novela das oito. Roberta surge como aquela personagem clássica que entra caminhando devagar, olhar seguro, repertório afiado e uma certeza absoluta de que vai ser ovacionada. Em Recife, ela marca presença no bloco mais tradicional do país. Em João Pessoa, assume o posto de atração do Show Frevo Mulheres, evento que reúne nomes fortes e reforça o protagonismo feminino na folia.
De volta à terra natal, a paraibana consagrada como Rainha da Música Sertaneja chega com o repertório que o público sabe de cor. Majestade, Vá com Deus, Meu Dengo e outros sucessos entram em cena como trilha sonora de emoção coletiva. Quem vai, já sabe que não tem espaço para distração. É cantar junto ou se render.
O Show Frevo Mulheres ainda divide o palco com Maria Gadú e Nena Queiroga, ampliando o peso musical da noite e deixando claro que ali não existe figurante. Só protagonista com microfone ligado e plateia atenta.
Eu, Kátia Flávia, observo esse movimento com aquele sorriso de quem entende o jogo. Roberta Miranda não aparece para cumprir tabela. Ela aparece para marcar território, cruzar estados e lembrar que estrela de verdade aguenta agenda puxada, multidão e expectativa alta.
Enquanto muita gente escolhe um palco e descansa, Roberta escolhe dois e entrega. Carnaval do Nordeste agradece. E eu fico aqui, abanando meu leque imaginário, porque quando uma diva dessas entra na folia, até o confete presta mais atenção.