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Kátia Flávia
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Reviravolta no caso Oruam: Justiça derruba prisão, tira tentativa de homicídio e impõe coleira judicial

Rapper, filho de Marcinho VP, deixa de ser considerado foragido no processo, mas terá que cumprir restrições como recolhimento noturno, comparecimento mensal e distância de áreas de risco

Kátia Flávia

01/08/2026 15h23

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Justiça do Rio revogou a prisão preventiva de Oruam em processo sobre confusão com policiais civis

A Justiça do Rio revogou a prisão preventiva de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, em uma reviravolta no processo que investigava uma confusão envolvendo policiais civis no Joá, Zona Sudoeste do Rio. O rapper, filho de Marcinho VP, era considerado foragido desde fevereiro por descumprir medidas cautelares, incluindo violações da tornozeleira eletrônica.

Eu já estava no quarto do The Standard Ibiza Town, com a sacola de palha largada ao lado do banco de madeira, a saída de praia branca pendurada no encosto da cadeira e o celular virado para cima esperando resposta de Ana Maria Braga, quando veio essa decisão. Oruam saiu da lista de foragido, mas não saiu exatamente livre, leve e solto. Saiu com manual de instruções judicial.
Na decisão, a juíza Tula Mello, da 3ª Vara Criminal, entendeu que não havia elementos suficientes para sustentar a acusação de tentativa de homicídio contra o cantor. Segundo a magistrada, não ficou demonstrado que Oruam assumiu o risco de matar os policiais nem que teria sido ele quem lançou a pedra contra os agentes.

Com isso, o rapper passa a responder por lesão corporal, ameaça, resistência, desacato e dano ao patrimônio público. A advogada de defesa, Flávia Froes, resumiu o novo cenário: “Ele vai responder, mas agora sem prisão e sem a tentativa de homicídio”.
Traduzindo para a mesa do bar, com todo cuidado jurídico: a situação melhorou muito para ele, mas não virou absolvição geral nem certificado de bom comportamento. A Justiça tirou o peso mais grave da história, mas deixou uma coleira de cautelares bem apertada.

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A mãe do rapper comemorou a decisão e disse que a família atravessou um “tempo de deserto”.

Entre as medidas impostas, Oruam terá que comparecer mensalmente ao cartório do juízo até o dia 10 de cada mês para informar e justificar suas atividades. Também deverá comparecer a todos os atos do processo, manter endereço e telefone atualizados e não poderá se ausentar da comarca onde mora por mais de sete dias sem autorização judicial.
A lista continua. O rapper está proibido de ir ao Complexo do Alemão e a outras áreas consideradas de risco para cumprimento de mandados, intimações e diligências policiais. Também não poderá se aproximar a menos de 500 metros nem manter contato com os demais acusados. Além disso, terá recolhimento domiciliar noturno, das 20h às 6h.

Eu li “recolhimento das 20h às 6h” e pensei: para um artista que vive de show, bastidor, madrugada e agenda pública, isso não é detalhe. É praticamente transformar a noite em tornozeleira invisível. Não tem prisão, mas também não tem vida normal com after.
A mãe de Oruam, Márcia Nepomuceno, comemorou a decisão nas redes sociais. Em publicação no Instagram, ela escreveu que “esse tempo de deserto, tanto para mim quanto para os meus filhos e para toda a minha família, nos trouxe muitas lições. Nos fez amadurecer e crescer”.

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A mãe do rapper comemorou a decisão e disse que a família atravessou um “tempo de deserto”.

O caso começou em 21 de julho de 2025, quando policiais civis da Delegacia de Repressão a Entorpecentes foram à antiga casa do cantor, no Joá, para cumprir um mandado de busca e apreensão contra um adolescente infrator. O jovem, ligado à chamada “Equipe do Ódio”, associada ao Comando Vermelho, havia deixado de cumprir medidas socioeducativas em regime de semiliberdade.
Segundo a investigação, o adolescente foi colocado em uma viatura, mas fugiu durante a confusão, enquanto Mauro e outros jovens apedrejavam um carro descaracterizado. Vídeos gravados pelos próprios envolvidos foram usados pela polícia para embasar o inquérito que levou ao mandado de prisão.

Três dias depois da confusão, Oruam se entregou e ficou 50 dias preso em Bangu. Na época, a prisão foi convertida em medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica. No início deste ano, porém, o descumprimento dessas obrigações levou a um novo pedido de prisão.
A decisão muda bastante o tabuleiro, mas não encerra o jogo. Oruam deixa de ser tratado como foragido nesse processo, escapa da acusação mais pesada e volta ao centro da história com regras severas para cumprir. Eu, do quarto em Ibiza, só digo uma coisa: quando a Justiça troca prisão por cautelar, não é festa de liberdade. É liberdade com recibo, horário e endereço atualizado.

Post: https://www.instagram.com/p/Dbfsic6kYD0/?utm_source=ig_embed&ig_rid=AOUqxTIfEpNDQSXBEawiAhJ

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